Morador pode decidir melhor para bairro, diz líder sobre estação de Metrô

Morador pode decidir melhor para bairro, diz líder sobre estação de Metrô

Atualizado: Quinta-feira, 19 Maio de 2011 as 12:07

Cruzamento das avenidas Francisco Morato e Três Poderes; no local, em vez de uma estação de Metrô, há um duto de ventilação da empresa (Foto: Marcelo Mora/G1)     Apesar de afirmar que os episódios envolvendo os cancelamentos da construção de estações de Metrô em São Paulo – no primeiro caso, o da Estação Três Poderes, na Linha 4-Amarela (Luz-Vila Sônia), em 2005, e recentemente o da Estação Angélica, na Linha 5-Lilás – não podem ser comparados, a aposentada Márcia Vairoletti, diretora do Movimento Defenda São Paulo, afirma que são os moradores que devem decidir o que é melhor para seus bairros.

Em 2005, ela, então presidente da Associação Segurança Cidadania (Assec), foi uma das principais lideranças a pressionar o governo do estado e a Companhia do Metropolitano de São Paulo para não construir a estação prevista em projeto para a esquina das avenidas Francisco Morato e Três Poderes, na Zona Oeste da capital.

Para a líder comunitária, a pressão para que a Estação Três Poderes fosse retirada do projeto valeu a pena. “Ficamos satisfeitos, mas foi uma luta para chegarmos a esse resultado. O que é preciso entender é que não há comparação com o que ocorre em Higienópolis. Cada bairro tem suas características e as pessoas que vivem ali é que tem de decidir o que é melhor”, disse.

O motivo da tentativa de evitar a construção da Estação Três Poderes, segundo a líder comunitária, não era propriamente a estação de Metrô, como no caso de Higienópolis – mas, sim, um terminal de ônibus que estava programado para ser construído em um terreno de 9,75 mil metros quadrados. “Em relação à estação Três Poderes, até concordávamos com o projeto, mas apareceu um elemento que acabaria com o bairro. Um terminal de ônibus, com 42 linhas de ônibus. Nós não temos nem prédios construídos nessa área; só casas, muitas árvores. Iria descaracterizar todo o bairro”, justificou.

Por isso, segundo ela, não é possível fazer comparações com o caso de Higienópolis, na região central. “Não houve essa discussão de mendigo, de ambulante na porta. À época, a discussão tinha conotação muito mais séria. Um terminal de ônibus deste porte traz uma série de outros problemas. Encaminhamos dossiês ao presidente do Metrô na época e foi feita uma avaliação técnica do problema. Eles excluíram a estação, mas não foi para atender meia dúzia de pessoas”, declarou.

Segundo ela, foram colhidas, na época, mais de 600 assinaturas de moradores, pedindo a exclusão da Estação Três Poderes. Prevista para receber 50 mil passageiros por dia, ela foi excluída da segunda fase da Linha 4 ao mesmo tempo em que houve a decisão de antecipar a obra da estação Vila Sônia, que passaria a contar com o terminal de ônibus. De acordo com estudo realizado pela empresa, sem o terminal de ônibus, não se justificaria a construção da estação.

Na ocasião, o Metrô informou que a pressão dos moradores teve influência, mas que não foi decisiva para a exclusão. A decisão teria sido essencialmente técnica, a exemplo do que também ocorreu em relação à Estação Angélica recentemente.

Na época, foi informado também que, caso algum governo se interessasse, a Estação Três Poderes poderia ser construída futuramente. No local, há uma edificação que funciona como duto de ventilação e saída de emergência. Procurada pelo G1 , a assessoria de imprensa do Metrô informou que “não se cogita a construção de terminal urbano e nem de estação no local” no momento.

Na última segunda-feira (16), foi inaugurada a Estação Pinheiros, localizada na Rua Capri 145, próxima à Marginal Pinheiros e Rua Gilberto Sabino, a quarta da Linha 4-Amarela a entrar em operação comercial e a 62ª estação do sistema metroviário da cidade. Com horário de funcionamento previsto das 4h40 às 15h, a entrada em operação da estação Pinheiros deverá ampliar a demanda da Linha 4-Amarela para cerca de 80 mil usuários/dia. As outras três estações que já estão em operação são a Paulista, Faria Lima e Butantã.

Linha Ouro

Os moradores da região do Butantã, na Zona Oeste, já estão se mobilizando para uma nova batalha: impedir a construção do monotrilho que receberá a Linha Ouro do Metrô, que vai ligar o Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, à região do Morumbi. “Em relação ao Metrô em si, que é transporte subterrâneo, não vemos problemas. O mesmo não ocorre com o monotrilho, que é um ‘Minhocão’ com trilhos”, disse Julia Titz de Resende, presidente do Conselho de Segurança (Conseg) do Morumbi, referindo-se ao Elevado Costa e Silva, que corta a região central de São Paulo.

“Todo o projeto dele está equivocado. Estamos fazendo uma série de levantamentos e o projeto dele já sofreu alterações”, faz coro Márcia Vairoletti.

Em junho de 2010, o então governador Alberto Goldman, que assumiu o cargo após a saída de José Serra, admitiu que o cronograma de obras da Linha Ouro estava atrasado. Ele disse, na ocasião, que se os recursos federais que estavam vinculados à infraestrutura da Copa de 2014 não fossem liberados, a solução será buscar dinheiro em bancos nacionais e internacionais – daí o atraso no cronograma, já que o Estádio do Morumbi havia sido excluído pela Fifa para sediar jogos durante o Mundial.

Linha 5-lilás

Já para o segundo trecho da Linha 5-Lilás não sair do papel não foi preciso nem pressão por parte dos moradores da região de Moema, bairro da Zona Sul da capital. A licitação foi suspensa em novembro do ano passado, depois que o jornal "Folha de S. Paulo" antecipou o resultado em 23 de abril de 2010, inclusive com registro em cartório e em vídeo.

Imóveis desapropriados pelo Metrô na Avenida Ibirapuera (Foto: Marcelo Mora/G1)

  Desde então, não houve uma nova licitação. No final de março deste ano, por ocasião da inauguração da estação Butantã, o governador Geraldo Alckmin estabeleceu um prazo de 20 dias para que o Metrô e as empresas envolvidas se manifestassem sobre a abertura das propostas, que por determinação da Justiça, deveria ser realizada no dia 29 daquele mesmo mês.

A assessoria de imprensa do Metrô informou que ainda não houve uma nova licitação, apesar do prazo dado pelo governador, mas que esta “é prioridade do governo do estado”. “Os contratos para expansão da Linha 5-Lilás no trecho entre as estações Adolfo Pinheiro e Chácara Klabin estão suspensos até conclusão de processo administrativo sobre a liberação das obras”, completou a assessoria. No momento, as obras se desenvolvem no trecho entre a estação Largo Treze e a futura Estação Adolfo Pinheiro.

Na Avenida Ibirapuera, uma das mais movimentadas da região, diversos imóveis em diferentes pontos já foram desapropriados, mas as obras não começaram. De acordo com a assessoria, a futura Estação Moema está prevista para ser construída entre a Avenida dos Jamaris e a Praça Nossa Senhora de Aparecida, ao lado da igreja. Na esquina da Avenida Cotovia, ficará o acesso para a futura Estação Ibirapuera, de acordo com a assessoria.

O trecho inicial da Linha 5-Lilás foi entregue em outubro de 2002 e conta com 8,4 km de extensão operacional distribuídos em seis estações: Capão Redondo, Campo Limpo, Vila das Belezas, Giovanni Gronchi, Santo Amaro e Largo Treze. O segundo trecho a ser construído deverá atender uma demanda de 600 mil passageiros/dia útil e ligará a Estação Largo Treze à Estação Santa Cruz (Linha 1-Azul) e à Estação Chácara Klabin (Linha 2-Verde). Serão mais 11 estações: Adolfo Pinheiro, Alto da Boa Vista, Borba Gato, Brooklin, Campo Belo, Ibirapuera, Moema, Servidor, Vila Clementino, Santa Cruz e Chácara Klabin.        

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