Moradores da zona leste convivem montanha de lixo e riscos de doença

Moradores da zona leste convivem montanha de lixo e riscos de doença

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:55

Moradores do bairro São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, convivem com uma montanha de lixo ao lado de suas casas há pelos menos dois anos. O problema, relatam eles, é resultado do descarte de móveis velhos, entulho e até animais mortos em caçambas (que serviriam apenas para depositar o lixo domiciliar) e da demora da Prefeitura de São Paulo em dar fim ao entulho que sobra nas vias depois que passa o caminhão da Ecourbs, empresa responsável pela coleta na região.

A reportagem do R7 visitou as esquinas das ruas Pochetis e Cinturão Verde na última sexta-feira (15), quando a quantidade de lixo era tanta que bloqueava as vias. O acúmulo de dejetos transformou o local em um verdadeiro lixão a céu aberto. Os moradores contaram na ocasião que, há ao menos duas semanas, os caminhões da Ecourbs não recolhiam os sacos de lixo, pois eles se encontravam em meio aos entulhos.

Walter Gomes de Freitas, que responde pelos procedimentos operacionais da Ecourbs, afirma que a quantidade de lixo acumulado é tão grande que os moradores não perceberam o efeito do trabalho da empresa. Segundo ele, o recolhimento do entulho não é de responsabilidade da empresa, somente a coleta de lixo domiciliar. De acordo com Freitas, os caminhões de coleta possuem um sistema hidráulico e não podem receber pedras e madeiras, por exemplo.

No final de semana, a moradora Luzia Moraes relatou que um caminhão da Prefeitura de São Paulo recolheu parte do entulho, mas deixou o trabalho incompleto, como é possível ver em fotos feitas por moradores na segunda-feira (14) ( V eja outras fotos  da área ).  

Também na segunda-feira, um caminhão da Ecourbs passou e deixou as caçambas vazias. Mas, em volta delas, ficaram sacos de lixo, pedaços de madeira e restos de construção.

Procurado pelo R7 , o Limpurb (Departamento de Limpeza Urbana), órgão da prefeitura, disse que está “providenciando junto à subprefeitura local a limpeza dos resíduos espalhados". Ainda segunda a nota, “o departamento rastreou, através de monitoramento via GPS instalados nos caminhões coletores, a passagem dos caminhões e não encontrou nenhuma irregularidade na frequência e nos horários da coleta”.

Náusea e enjoo

Luzia relata ainda que essas caçambas de lixo ficam na frente de terreno da família, na rua Pochetis, e que os dejetos que se acumulam, especialmente no final do ano, impedem a abertura do portão. Mesmo com a coleta da Ecourbs três vezes por semana, o cheiro dos sacos acumulados é nauseante e, por ali, passam ratos, moscas e pombas – animais propagadores de doenças.

- A gente acorda e já fica enjoado com o cheiro do lixo. Por aqui, passam ratos e temos medo de doenças. A prefeitura poderia afastar esses contêineres e colocar na rotatória.

A situação do bairro também causa prejuízos aos moradores. Wilton de Jesus, dono de um bar próximo ao lixão, afirma que o movimento do estabelecimento cai cerca de 40% toda vez que os dejetos se acumulam e o cheiro invade o comércio. Ele ainda conta que, no dia 11 de janeiro, foi até a Subprefeitura de São Miguel Paulista e fez uma solicitação na praça de atendimento para que o entulho e o barro fossem retirados. A prefeitura rebateu o pedido com um protocolo do ano passado, afirmando que o serviço já havia sido concluído.

As três caçambas foram colocadas na esquina das ruas Pochetis e Cinturão Verde porque, em algumas vias, o caminhão de coleta não consegue chegar. O Limpurb também explicou, em nota, que as ruas citadas acima “têm condições adequadas para a colocação do equipamento, visto que as vias são estreitas e possuem fortes declives”.

As caçambas aberta, contudo, são aproveitadas por moradores da região e de outros bairros para descartar qualquer tipo de material. Luzia relata que pessoas são contratadas, inclusive, para fazer o serviço de carreto e abandonar entulhos e outros objetos nessas caçambas.

O Limpurb disse ainda que já comunicou o problema à Ecourbs e ressaltou que a concessionária está estudando a viabilidade de mudanças técnicas. Freitas, no entanto, disse que a situação é resultado da ação dos moradores, que jogam qualquer tipo de lixo nas caçambas. Ele também pontuou que caçambas com tampas foram colocadas para tentar restringir o despejo de outros dejetos, mas a medida não resolveu o problema.

- Percebemos que as pessoas colocavam o lixo em cima de um dos contêineres e deixava os outros dois vazios. Os dejetos então se acumulavam e dificultavam o trabalho de coleta.    

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