MENU

Moradores da Zona Norte de SP chegam a ficar oito dias sem água

Moradores da Zona Norte de SP chegam a ficar oito dias sem água

Atualizado: Quarta-feira, 23 Março de 2011 as 8:04

Alguns moradores da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, passaram a terça-feira (22) com as torneiras secas. No início da manhã, o abastecimento estava normal, mas por volta do meio-dia a falta d'água voltou a atingir o bairro. De acordo com moradores que conversaram com a equipe de reportagem do G1 , as interrupções no abastecimento são frequentes. Já houve caso em que as torneiras ficaram secas por oito dias.

Os moradores têm estratégias para poupar água e armazená-la. “Nós temos caixa d'água. Mas, quando ela para de chegar, o jeito é economizar: ficar menos tempo no chuveiro, não lavar roupa ou o quintal”, contou a balconista Adriana Nogueira, de 28 anos, que mora na Rua Lourenzo Maitani.

Habituada às interrupções no fornecimento de água, a comerciante Cleusa Rosa Santos equipou sua casa com quatro caixas d'água, sendo uma com capacidade para mil litros e três de 500 litros, além de cinco tambores grandes. No entanto, ela e a família que moram em um sobrado na Rua Lourenzo Maitani não conseguem escapar do desabastecimento. “A gente chega a ficar oito dias sem água. Tem dia que a água chega, mas não tem força para subir até a caixa. Eu estou trocando as minhas caixas por garrafinhas pet”, disse. Nesta terça, um dos seus tambores grandes nem chegou a ser completamente enchido. “Por hoje a água já acabou”, constatou.

Horário das crianças

Além da economia constante no uso da água, os moradores têm que se acostumar com as mudanças nos horários da escola das crianças. Mãe de duas crianças, a dona de casa Jaqueline Juliana da Silva, de 26 anos, disse que, em dias sucessivos de falta d'água, as escolas da região costumam dispensar as crianças. “Às vezes, eles dispensam as crianças mais cedo. A minha filha mais nova tem 5 anos e entra na escola às 7h. Como eu vou deixá-la na escola até 12h40 se eles não têm como servir refeições? Deixar só à base de bolacha também não dá”, disse.

Comércio

Para quem trabalha no comércio, a situação também é bastante complicada. Proprietária de uma padaria na Rua Santa Cruz da Conceição, Telma de Lima Antônio também dispõe de oito caixas d'água - três de mil litros, três de 500 litros e duas de 250 litros. No entanto, a capacidade de armazenamento ainda é pouca. “Além das caixas d'água, temos alguns galões, mas tudo isso só dá para dois dias sem fornecimento de água”, afirmou.

Na última vez que a água acabou, a Sabesp chegou a mandar um carro-pipa, mas nem sempre é assim, segundo a proprietária. “Quando acaba, nós pegamos a perua e vamos buscar água na minha casa que fica em um bairro próximo”, disse. Os moradores já fizeram vários protestos. O último foi feito ainda esse mês, segundo Telma.

Na última visita da Vigiância Sanitária, a padaria foi autuada. "Sem água, como eu vou manter o piso e o banheiro limpos?", questionou.   

Sabesp

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou, em nota, que as ruas mencionadas pela reportagem são abastecidas pela Estação Elevatória de Vila Brasilândia, que atende a 1,2 milhão de habitantes. “A intermitência de água atinge, no máximo, 1,5 mil residências abastecidas pelo setor Jaraguá. Estes endereços estão situados em pontos mais distantes, monitorados diariamente pela Sabesp”, diz a nota.

Ainda de acordo com a Sabesp, apesar das temperaturas mais amenas registradas nos últimos dias, o consumo continua muito elevado na região, que também sofre com ligações irregulares.

“Ao longo dos últimos anos, o abastecimento de água nessas regiões periféricas também se agravou em função de inúmeras ligações clandestinas oriundas de loteamentos irregulares. As ligações clandestinas nessas áreas interferem diretamente no abastecimento e provocam as intermitências em pontos mais altos e distantes dos reservatórios”, diz o texto.

A companhia informou ainda que, no caso de intermitência no abastecimento, “os locais são atendidos com caminhão-tanque”.      

veja também