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Moradores de bairros de Atibaia só conseguem visitar as casas de barco

Moradores de bairros de Atibaia só conseguem visitar as casas de barco

Atualizado: Quarta-feira, 12 Janeiro de 2011 as 5:28

As fortes chuvas que atingiram Atibaia, no interior de São Paulo, nos últimos dias obrigaram moradores de algumas regiões da cidade a deixar as suas casas e a se abrigar na casa de amigos ou alojamentos da prefeitura. Como em alguns bairros, como o Parque das Nações, a água ainda não baixou, a única opção é visitar a casa com a ajuda de barcos da Defesa Civil.

O G1 acompanhou a balconista Fernanda Ivy Ferreira Pracídio, de 28 anos, e ajudante de serviços João Higor Félix, de 20 anos, em uma visita a suas casas com a ajuda de um barco da Defesa Civil. Fernanda ficou emocionada. “Vendo a minha casa como está, a gente só pode chorar e rezar para Deus enviar essa chuva para quem está precisando”, disse.

A balconista está desde o dia 3 de janeiro com a sua mãe, a irmã e o filho em um alojamento organizado na escola municipal Teresa Marcília, também visitado pelo G1 na tarde desta quarta-feira (12). Embora tenha conseguido salvar uma TV e a geladeira, o medo de que a água volte a subir ainda persiste. “Eu e minha mãe deixamos as crianças dormindo e ficamos acordadas à noite. Nós vimos imagens de como a água subiu rápido em outros bairros e temos medo de que aconteça a mesma coisa por aqui”, declarou.   João Higor também foi com a mãe para o mesmo abrigo no dia 3 de janeiro. Na segunda-feira (10), apesar das recomendações das autoridades para continuarem no abrigo, eles voltaram para casa e fizeram uma limpeza no local. Poucas horas depois, no entanto, eles tiveram que voltar para o abrigo porque a chuva provocou novamente a elevação do nível da água. “É horrível isso. Moro aqui desde os 5 anos. No ano passado perdemos tudo. Neste ano ainda deu para salvar as coisas. Isso não existe”, afirmou.   Quem ainda insiste em ficar em casa precisou adaptar a rotina, caso de João da Silva Parahiba, de 66 anos. Como a água não atingiu os quartos da sua residência, ele, o filho, a nora e um neto de apenas 15 dias não abandonaram o imóvel. A água subiu a primeira vez no dia 3 de janeiro e a segunda vez na última segunda-feira. Quando sua casa está alagada, ele sai pela manhã e fica em uma ponte de onde pode observar a sua casa à distância. “Não dá para fazer nada. Eu saio de manhã e só volto à noite para dormir. Vou ficar o dia inteiro dentro do quarto? Aqui sempre aparece alguém para conversar”, afirmou.

De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Atibaia, devido à chuva de segunda-feira, quando em cinco horas foram registrados 160 mm de precipitação, os bairros Parque das Nações e Caetetuba, que estão na várzea do Rio Atibaia, continuam embaixo d´água. O rio está 1,2m fora da sua calha. As regiões costumam inundar, mas não nessa proporção. Já os bairros Jardim Brasil e Estância Lince sofreram com uma enxurrada devido à elevação do nível dos córregos afluentes do Rio Atibaia. Nessas regiões, os moradores estavam limpando as casas e tentando recuperar seus pertences.

A Defesa Civil só irá divulgar o balanço de quantas pessoas tiveram que deixar as suas residências e quantos resgates foram feitos nesta quinta-feira (13). Na Escola Municipal Teresa Marcília, 28 pessoas passaram a noite de terça para quarta. Não há estimativas de quantas pessoas precisaram da ajuda dos barcos para deixar as suas casas nos últimos dias. A prefeitura decretou situação de emergência na última terça. O decreto deve vigorar por um prazo de 90 dias, mas pode ser prorrogado por até 180.    

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