Moradores de cidade serrana vivem cenário de destruição após enxurrada

Moradores de cidade serrana vivem cenário de destruição após enxurrada

Atualizado: Quarta-feira, 19 Janeiro de 2011 as 8:38

Os moradores de São José do Vale do Rio Preto, na Região Serrana do Rio de Janeiro, vivem um cenário de destruição desde a chuva de quarta-feira (12). Praças públicas ficaram cobertas de lama, residências e imóveis comerciais existentes às margens do Rio Capiberibe caíram ou sofreram rachaduras que impossibilitam a ocupação das construções.

Desde a tarde de quinta-feira (13), moradores tentam minimizar os estragos tirando a lama com carrinho de mão, pás e enxadas. Muitos ainda tentam recuperar os bens que resistiram à força da água para levar até lugares seguros, depósitos ou postos de combustível.   A desolação é visível nos rostos dos moradores, que tentam encontrar meios para recuperar o que sobrou de suas casas e objetos pessoais. A rodoviária, no Centro da cidade, está fechada por causa da lama e da sujeira. Alguns postes de iluminação e eletricidade caíram.

O sucateiro Paulo Sérgio Siqueira Chagas, 36 anos, perdeu a casa e o depósito de materiais recicláveis. Para evitar que os objetos que permaneceram entre os escombros sejam saqueados, ele passa o dia e a noite no local.

O casal de comerciantes Sérgio Maia e Yolanda Maia escapou da morte por cerca de dez minutos. Eles saíram do imóvel com o último caminhão de objetos pessoais às 11h20 e a residência foi levada pela força da água às 11h30.   Aos poucos, o comércio tenta retomar a rotina. Algumas pequenas farmácias e lojas de utensílios domésticos já abriram as portas. Os postos de combustíveis estão com os tanques contaminados pela água barrenta e pela sujeira leva pela enxurrada.

No Centro, a ponte que passa sobre o rio caiu e a passarela também foi interditada. Apenas uma das pontes permanece em funcionamento, o que permite que os moradores consigam transitar dos dois lados das margens do rio. Apesar disso, não há garantia de que a estrutura da ponte esteja segura.

Segundo Eduardo Rento, guarda ambiental da cidade, algumas pessoas ficaram ilhadas. “Já tiramos pessoas de casas ameaçadas. Uma delas é uma adolescente excepcional de 15 anos, que estava dentro de casa, sem ter como sair. Tivemos de levá-la nas costas, por meio do mato fechado, do bambuzal e tentando escapar da água, que subia muito rápido.”    

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