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Moradores de Cingapura em SP fazem abaixo-assinado para evitar remoção

Moradores de Cingapura em SP fazem abaixo-assinado para evitar remoção

Atualizado: Segunda-feira, 10 Outubro de 2011 as 4:06

Dona de casa Maria Laura da Silva quer indenização para deixar apartamento (Foto: Letícia Macedo/G1)

  A associação Viva Melhor vai tentar garantir a permanência dos moradores do Cingapura Zarki Narchi, na Zona Norte de São Paulo, no local apesar da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que determinou a desocupação imediata dos prédios do conjunto habitacional popular feito pela Prefeitura em razão da presença de gás metano no subsolo. Um abaixo-assinado foi feito neste fim de semana para pedir que as famílias continuem nos apartamento durante a instalação dos dutos para a drenagem do gás. O documento foi entregue no Ministério Público e na Prefeitura da capital nesta segunda-feira (10).   A dona de casa Cleonice Maria do Nascimento, de 49 anos, foi quem levou o abaixo-assinado para a Prefeitura e para o Ministério Público. “A nossa intenção é que não deixemos os apartamentos enquanto a instalação dos dutos estiver sendo feita. A Secretaria da Habitação já falou que não tem local para alojar tanta gente”, disse. Ela não soube informar quantas assinaturas os moradores conseguiram recolher, mas disse acreditar em uma mudança na determinação judicial.

A incerteza sobre o futuro ainda imperava entre os moradores início da tarde desta segunda. Alguns ficaram sabendo pela reportagem do G1 sobre a decisão e aguardavam um posicionamento oficial da Prefeitura para deixar o condomínio.

O pedido de desocupação foi feito pela Promotoria devido ao risco de explosão provocado pelo vazamento de gás metano. A decisão de retirar os moradores dos 35 prédios foi tomada na sexta-feira (7) pela 10ª Vara da Fazenda Pública. O condomínio é vizinho do Shopping Center Norte, que ficou interditado por dois dias na semana passada devido ao mesmo problema.

Manicure irá buscar abrigo na casa dos pais

(Foto: Letícia Macedo/ G1)

  O conjunto habitacional foi construído a cerca de 300 metros do antigo lixão do Carandiru, que serviu de depósito de resíduos entre os anos 50 e 70. A decomposição de materiais orgânicos, utilizados no aterramento do terreno, contribuiu para a formação do gás.

A dona de casa Maria Laura da Silva, de 71 anos, que foi informada pela reportagem sobre a decisão judicial, disse que não duvida que o condomínio seja desocupado, já que a retirada dos moradores interessa a comerciantes da região. “Sempre quiseram tirar a gente daqui. Falam que essa região está valorizada. Tenho medo que nos coloquem para fora e digam que não vamos mais poder voltar porque está tudo cheio de gás”, disse. Caso tenha que deixar o seu apartamento, ela irá para a casa do filho com a neta que mora com ela. “Só saio daqui se me derem um dinheiro. Não vou sair com uma mão na frente e outra atrás.”

A manicure Juliana Keiko Alves, de 18 anos, também não sabia da decisão judicial até o início da tarde. “Uns falam que a gente vai ter que sair. Outros dizem que não. A gente não sabe em quem acreditar”, afirmou. No apartamento dela moram oito pessoas, sendo duas crianças. “Se eu tiver que sair, eu vou para a casa do meu pai com o meu marido e meu filho, mas minha sogra eu não sei para onde ela vai.” O maior temor é ficar desamparada, disse Juliana. “A única coisa que eu quero que ninguém fique na rua.”

A dona de casa Joana Valério dos Santos, de 41 anos, que tinha acabado de ficar sabendo da determinação judicial pela televisão, disse não acreditar que o condomínio corra risco. “Muitos não acreditam que vão tirar a gente daqui. Por enquanto, eu não acredito que tenha problema com gás”, disse.

A dona de casa, do bloco 18, mora com uma filha de 17 anos, que tem paralisia cerebral. “Vamos esperar a solução da Prefeitura. É só ela que pode nos dar.”

Monitoramento

Dona de casa aguarda solução que será

apresentada pela Prefeitura

(Foto: Letícia Macedo/ G1)

  Moradores que habitam os apartamentos térreos do condomínio disseram que existem medições diárias da Cetesb. “Aqui o homem me disse que [a concentração de metano] deu zero”, afirmou Juliana Keiko Alves.

Enquanto os moradores estiverem fora do conjunto habitacional, a Prefeitura e a Cetesb deverão efetuar um monitoramento diário das condições da área para identificar os níveis de gás metano. As famílias devem permanecer fora dos apartamentos até que a Cetesb ateste que foi eliminado qualquer risco de explosão, comprovado por laudo técnico.

A Justiça também determinou que a Prefeitura instale, em um prazo de 20 dias, um sistema para fazer o monitoramento diário da concentração de gás metano nos 140 apartamentos térreos do Cingapura. Se não cumprir a determinação, a Prefeitura terá que pagar multa diária de R$ 100 mil.

A administração municipal afirmou que ainda não foi notificada. Segundo o Tribunal de Justiça, a decisão só passa a valer a partir do momento em que a Prefeitura for notificada.

Em nota, a Secretaria Municipal de Habitação disse que, em reunião com o Ministério Público no dia 5 de outubro, a Promotoria exigiu a antecipação de algumas das providências em andamento, como o monitoramento diário de gases e cronograma de instalação dos drenos. Segundo a nota, no dia 6, a secretaria cumpriu os prazos e as exigências feitas pela Promotoria e protocolou na Cetesb e no Ministério Público Estadual os documentos combinados na ata da reunião.

A Secretaria Municipal de Habitação também afirmou que implantou na sexta-feira (7) a medição diária em todos os apartamentos do térreo do conjunto habitacional e da creche. Na data, a secretaria autorizou a contratação dos drenos que retirarão e monitorarão os gases do subsolo.          

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