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Moradores de morro que desabou em SP reclamam do valor de indenização

Moradores de morro que desabou em SP reclamam do valor de indenização

Atualizado: Sexta-feira, 8 Julho de 2011 as 2:48

Auxiliar de laboratório exibe auto de interdição de sua casa na Zona Sul de SP (Foto: Letícia Macedo/ G1)

  Moradores do Morro dos Macacos, na região de Cidade Ademar, na Zona Sul de São Paulo, afirmaram nesta sexta-feira (8) que o valor da indenização oferecido pela Prefeitura é insuficiente para a aquisição de um novo imóvel em área segura. Um deslizamento de terra ocorrido nesta quinta (7) destruiu dez residências e deixou 24 interditadas. Uma criança e uma adolescente grávida morreram. No local era feita uma obra de contenção de encostas.

Com medo de novos deslizamentos na área, que é considerada de risco, moradores que não tiveram casas interditadas, também procuram ajuda da Secretaria da Habitação (Sehab) nesta manhã. A auxiliar de laboratório desempregada Viviane Maria Jorge Oliveira, de 21 anos, mora na área há 14 anos. Atualmente, ela vive com o marido e com a filha de 5 anos. A família recebeu a proposta de receber R$ 20 mil pela residência, valor que considera insuficiente para adquirir um outro imóvel que atenda às exigências da Prefeitura.

“Nós procuramos vários endereços e não tem casa nesse valor”, disse Viviane. Para o aluguel social, segundo a auxiliar de laboratório, foi lhe oferecido uma quantia de R$350. “Aluguel nessa faixa não aceita criança”, contou ao G1 enquanto aguardava para saber se a Secretaria de Habitação tinha uma nova proposta para sua família. Além dela, a mãe também teve a moradia interditada após o deslizamento.

“Nós chegamos a propor que, além, dos R$20 mil da indenização, eles nos emprestassem R$20 mil. Nós pagaríamos aos poucos, porque a Caixa Econômica não vai liberar empréstimo para quem não tem casa e está desempregado”, disse. Segunda ela, a proposta foi feita por ela e pela mãe do garoto Yohan, de 3 anos, uma das vítimas que deve ser enterrada nesta sexta.

Na manhã desta sexta-feira, moradores do Morro do Macaco participaram de encontros com a Defesa Civil e da Secretaria da Habitação. Segundo uma funcionária da secretaria que orientava os moradores, a prioridade era atender os moradores que tiveram as casas interditadas. O valor oferecido para cada casa varia e o valor do aluguel social varia em torno de R$350.

Os moradores que não tiveram as casas isoladas pela Defesa Civil, no entanto, procuravam uma orientação, porque temem novos desmoronamentos. A casa da vendedora desempregada Priscila Salviano Luiz, de 28 anos, não foi interditada, mas ela não quis passar a noite no Morro dos Macacos. “Eu tenho duas crianças. Não posso colocá-las em risco”, afirmou. No entanto, ela teme que a casa seja saqueada. “A gente não fica tranquila. A PM ficou do outro lado da rua. Temo que minha casa não esteja segura”, disse. “Já me disseram que minha casa não é prioridade. Vão esperar morrer mais duas outras três pessoas para nos darem atenção. Hoje a imprensa está aqui e depois? Como vai ser”, indagou.

Mãe e filha temem novos desmoronamentos no

Morro dos Macacos (Foto: Letícia Macedo/ G1)

  A Sehab já avaliou a sua casa da vendedora em R$ 23 mil, segundo a moradora. “Minha casa tem cerâmica, azulejo. Onde vou arrumar uma casa nesse valor que tenha escritura?”, questionou. A mãe dela, Maria Olindina Silva, de 58 anos, que também mora na área de risco, mas não teve a residência avaliada pela Prefeitura, teme que a obra de contenção de encostas que está sendo feita provoque deslizamentos. “Já está tudo fofo. Imagina quando começar a chover?”.

A Polícia Militar informou que, durante toda a noite, fez a segurança da área e que não houve registro de incidentes.

Valor das indenizações

Segundo Ricardo Sampaio, engenheiro da Sehab, 20 famílias desabrigadas foram levadas para hotéis. Elas serão cadastradas no programa “Parceria Social”. De acordo com Sampaio, quem optar por receber a ajuda financeira da Prefeitura de cerca de R$350 para pagamento de aluguel terá direito ao benefício até a aquisição de uma “unidade de moradia definitiva”. “A prioridade da secretaria é dar um atendimento de emergência, alojar e realocar as famílias que foram atingidas pelo deslizamento”, disse o engenheiro.

Em relação à reclamação das famílias sobre o valor das indenizações, Sampaio afirmou que “a ideia é que seja estabelecido um valor de mercado justo, necessário para a aquisição de um imóvel”. Ainda de acordo com ele, a Prefeitura toma como base critérios do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias (Ibape) para estabelecer o valor das indenizações.

Área de deslizamento começou a ser vistoriada nesta sexta-feira pela Defesa Civil (Foto: Letícia Macedo/ G1)          

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