MENU

Moradores dizem que vão continuar em área de risco em SP

Moradores dizem que vão continuar em área de risco em SP

Atualizado: Quarta-feira, 12 Janeiro de 2011 as 7:10

A cidade de Mauá, na região Metropolitana de São Paulo, registrou três mortes após a forte chuva da noite de segunda-feira (10) e madrugada de terça-feira (11). As autoridades se dizem surpresas com o volume da precipitação e prometem novas obras. Apesar de todo o risco, tem muita gente que vai passar mais uma noite no local.     “Fazer o que, vou pra onde? Por mim já tinha ido embora pro Norte. Eu quero ir embora, mas não estou trabalhando”, diz a desempregada Mariluce da Cruz

O casal que mora logo em cima é o dono das casas que compõem o entorno. Para eles, está tudo bem: recebem o aluguel e ainda têm planos de faturar mais construindo na parte de baixo.

“Fui eu que cavei por minha conta. Vou fazer o salão embaixo e garagem. Pode ficar sossegado que não vai cair não, esse ano eu vou construir aí”, planeja o segurança Francisco Fernandes Sobrinho.   Aposta maior faz quem mora na beira do barranco que já deslizou na última madrugada e continua ali. O turbilhão de terra que desceu matou um homem de 55 anos e um rapaz de 16 que morava na residência.

Na noite desta terça, o pai do rapaz que morreu soterrado voltou para a casa dele, trouxe uns amigos pra tentar recuperar o que ficou dentro da residência. "Não sobrou quase nada, mas o pouco que restou tem que levar. O que eu tinha de tudo aí era meu filho que perdi. Tirei um de dentro do barro, de 18 anos, o outro está sendo velado", lamenta Juraci dos Santos.

A chuva provocou mais morte na Grande São Paulo. Em Embu, a encosta que cedeu acertou logo um homem que nem morava no local. Ele tinha 76 anos e estava só de passagem. Veio de Pernambuco para um tratamento de saúde.

“Não tenho nem palavra para falar do sofrimento de 15 filhos do mesmo pai e da mesma mãe. A dor é grande saber que ele morreu desse jeito”, conta a filha, Zuleide Alice do Nascimento. Outras casas próximas também foram atingidas. “Têm duas noites que a gente não sabe o que é dormir”, diz a ajudante geral, Ilza da Silva Santos.

Como a temporada de chuvas ainda vai longe, as apostas são arriscadas. Uma casa em Mauá, por exemplo, tem nos fundos um morro que já começou a deslizar. E a frente também pode ceder. Cercados pelo perigo, os moradores nem apagaram as luzes e saíram de casa.      

veja também