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Moradores do Alemão dizem que estão vivendo falsa sensação de segurança

Moradores do Alemão dizem que estão vivendo falsa sensação de segurança

Atualizado: Sexta-feira, 3 Dezembro de 2010 as 9:04

Uma adolescente de 15 anos sobe a comunidade da Grota olhando para os lados e se sentindo incomodada com a presença de policiais e soldados do Exército com armas e fuzis nas mãos. Ela está a caminho do trabalho, uma LAN house onde ocupa a vaga de recepcionista.

A jovem diz que os personagens no Complexo do Alemão mudaram, mas o cenário ainda é o mesmo: homens armados circulando pelo conjunto de favelas da zona norte. A recepcionista diz que não se sente a vontade para circular pela região.

- A ocupação pode dar uma sensação de segurança, mas ainda não me sinto a vontade andando pelas ruas com tanta gente armada. A nossa sorte que dessa vez são policiais e o Exército.

Um outro morador, que preferiu não se identificar, compartilha da mesma opinião. Ele compara a ocupação do Complexo do Alemão com um filme de guerra. O carregador de supermercado diz que a comunidade ainda respira o ar de medo deixado pelos traficantes de drogas.

- Não dá para esquecer os bandidos com tantas armas a mostra. Tenho a impressão que a qualquer momento o novo confronto pode começar.

O morador espera que os tiroteios que assustaram a comunidade nos primeiros dias da operação das forças de segurança não voltem a acontecer. No entanto, ele continua proibindo os filhos de oito e dez anos de saírem de casa sem a sua companhia.

- Não quero que os meus filhos se acostumem em ver armas e fuzis, seja de policiais ou de traficantes.

Ele conta que não aguenta mais ser revistado toda vez que sobe para o alto do morro da Grota. Segundo o carregador, os policiais sempre insinuam que ele pode ser um suspeito. O morador diz que não se queixa com a ouvidoria da polícia, porque teme represália.

- Não vou confiar na polícia de uma hora para outra. Policial sempre trata favelado como bandido. E acho que vamos conviver com isso por muito tempo.

Uma resposta do Estado

A operação no Complexo do Alemão faz parte da reação da polícia à onda de violência que tomou conta do Rio de Janeiro na última semana, quando dezenas de carros foram incendiados em vários pontos do Rio de Janeiro e houve ataques a policiais.

A ação dos criminosos foi vista pelo governo estadual como uma resposta às UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) instaladas nos dois últimos anos em comunidades antes dominadas pelo tráfico.

Para conter os ataques, a polícia, com apoio das Forças Armadas, realizou uma grande ofensiva na última quinta-feira (25) na Vila Cruzeiro, forçando a fuga de centenas de traficantes para o vizinho Complexo do Alemão, onde foram cercados nos dois dias seguintes.    

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