Moradores do Jardim Romano têm dificuldade para receber bolsa-aluguel

Moradores do Jardim Romano têm dificuldade para receber bolsa-aluguel

Atualizado: Sexta-feira, 23 Julho de 2010 as 8:21

Moradores que deixaram o Jardim Romano, na Zona Leste de São Paulo, depois que o bairro ficou meses alagado durante o verão estão enfrentando dificuldades para receber o dinheiro do auxílio-aluguel oferecido pelas autoridades. Nesta quarta-feira (21), eles enfrentaram fila e tiveram que mudar de lugar para conseguir receber o dinheiro.

Quem deixou o bairro pode até viver em uma casa maior atualmente, mas deixou de ter o conforto da casa própria. É o caso do casal Claudene Alves dos Santos e Everaldo Santos. “É ruim. A gente tenta se virar como pode. Agora a gente está se virando pagando água, luz e aluguel, né?”, conta Everaldo.

Eles viveram durante sete anos no Jardim Romano. Em dezembro, com os alagamentos, a casa deles foi demolida. A família se mudou para o Jardim Helena, também na Zona Leste. No começo do ano, o casal e outras pessoas que perderam as casas na região da várzea do Tietê enfrentaram fila em frente à Secretaria Municipal de Habitação, no Centro da cidade, para receber um cheque de R$ 2 mil e assim pagar seis meses de aluguel e o carreto da mudança. Agora, o esquema mudou. No começo de julho, 360 famílias do Jardim Romano retiraram o dinheiro do auxílio-moradia em um banco de São Miguel Paulista. Nesta quarta-feira (21), outras 300 famílias deveriam receber o benefício na mesma agência. Quando elas chegaram, entretanto, o dinheiro não estava no local.

“Quando chegamos lá no banco estava a maior fila. Chegaram vários carros de polícia para paralisar a situação, pois eles não queriam atender a gente”, disse Claudene.

A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), que emitiu a ordem de pagamento, disse em nota que o Banco do Brasil informou na última hora que teria problemas operacionais para pagar os moradores. A companhia resolveu então entregar os cheques na subprefeitura de São Miguel Paulista.

“Foi difícil, eu vim do trabalho, fui para o banco com meu filho no colo e tive que vir para cá novamente”, contou a atendente de telemarketing Tatiana Moraes.

Os moradores receberam um cheque de R$ 1.300 – R$ 300 para o pagamento do aluguel do mês e os outros R$ 1mil para outros gastos, como compra de imóveis. Entretanto, quem não tem conta-corrente só vai poder descontar o cheque na sexta-feira (23).

Enquanto as famílias não se mudarem para um apartamento da CDHU elas continuarão recebendo o auxílio-aluguel. No início de julho, a prefeitura e o estado renovaram o acordo. A forma de pagamento foi alterada – os moradores têm um cartão para sacar o dinheiro direto no Banco do Brasil. Entretanto, muitos ainda não receberam o cartão.

Desde o começo do ano a Prefeitura demoliu 1,2 mil casas construídas irregularmente no bairro. Várias famílias foram encaminhadas para moradias populares e outras passaram a receber o aluguel-social. Para evitar novas enchentes, no dia 19 de abril foi iniciada a construção de um dique para segurar a água do Rio Tietê.

De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação, 3 mil casas ainda devem ser demolidas para a ampliação do Parque Várzeas do Tietê.

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