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Moradores limpam casas e carros após Córrego Aricanduva transbordar

Moradores limpam casas e carros após Córrego Aricanduva transbordar

Atualizado: Terça-feira, 1 Março de 2011 as 12:02

A chuva forte que causou o transbordamento do Córrego Aricanduva e do Rio Tietê na tarde desta segunda-feira (28) na Zona Leste de São Paulo causou apreensão entre os moradores da Rua Ganges, na região do Carrão. Eles já estão acostumados com os alagamentos, mas a força da enchente desta segunda foi a maior em sete anos, causando prejuízos até para quem está acostumado e tem comportas e casas elevadas.  

O gráfico José Marcos Inácio, de 50 anos, limpava com a ajuda de uma de suas funcionárias na manhã desta terça-feira (1º) um de seus carros que estava na rua no momento da enchente. Ele normalmente para o veículo perto do fim do quarteirão, onde a água não chega. Nesta segunda, a enchente no mesmo local cobriu os bancos do veículo. “A água normalmente só chega no meio do quarteirão. Tenho que deixar um carro para fora durante o dia por causa das máquinas, que uso na garagem”, contou ele nesta manhã.

O imóvel onde vive e trabalha já é elevado cerca de um metro em relação ao nível da rua – por isso, a água não chegou a entrar. Mesmo assim, ele ficou preocupado – na casa vivem 36 animais de rua cuidados por ele. “Fiquei preocupado com os animais, com medo de a água entrar. Você acha que não vai parar de subir”, contou ele, que vive no imóvel há 22 anos. “Minha preocupação é com a minha saúde e com os animais. Em relação à casa, eu já desisti. Eu só faço o básico, não dá vontade. O certo era vender e ir embora. Se eu achasse outro lugar que pudesse comprar, eu saía rapidinho daqui.”

Do outro lado da rua vive o microindustrial Roberto Luís de Lima, de 57 anos, que também tem na mesma área uma fábrica de produção de móveis. Na segunda, diversas peças e materiais foram perdidos com a água que entrou no galpão – e isso porque há uma comporta na entrada principal. “Toda vez que chove forte é esse problema. Entrou muito rápido, tinha várias peças pintadas que ficaram na água. Tive que colocar a geladeira no alto. A gente fecha a comporta, mas às vezes não resolve. A água vem pelos ralos, se infiltra pelo solo. Não adianta a comporta, a água passou a altura dela”, contou Lima.

Nesta manhã, ele ainda aguardava a chegada de seus funcionários para começar o trabalho e a limpeza – todos estavam atrasados pelo menos uma hora. “Acho que eles estão desanimados. Hoje vai ser o dia todo de limpeza”, afirmou. “Já nem estimo mais os prejuízos. A gente não pode ficar olhando para trás, senão não segue em frente.”

Vila com comporta

Uma comporta de cerca de 1,5 metro de altura na entrada de uma vila que tem acesso pela Rua Ganges não foi o suficiente para impedir a água de entrar na casa da aposentada Luzia Viana Futuri, de 78 anos. Os dois degraus que deixam o imóvel dela cerca de 40 centímetros mais alto que a rua também não foram capazes de conter o alagamento. “Depois que colocou a comporta, há uns dez anos, essa foi a segunda vez que encheu. Quando conseguiram fechar o portão já tinha entrado água, e continuou chovendo muito. Foi preciso escorar a comporta com pedaços de madeira porque a água estava muito forte”, disse a aposentada.

A água entrou pouco no imóvel – foram cerca de 15 centímetros de altura. Como a aposentada mora sozinha, contou com a ajuda dos vizinhos para erguer e retirar os móveis. “A sorte é que tenho uns vizinhos bons. A água veio até pelo ralo do quintal”, afirmou.

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