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Moradores reclamam de problemas na coleta de lixo em favelas de SP

Moradores reclamam de problemas na coleta de lixo em favelas de SP

Atualizado: Quarta-feira, 9 Novembro de 2011 as 3:38

A falta de coleta de lixo nas favelas é um problema que atinge não várias regiões de São Paulo. A Prefeitura paulistana alega que o caminhão não consegue entrar nos becos e vielas e, por isso,  caçambas são colocadas em pontos onde o caminhão passa. Os moradores, entretanto, reclamam que isso não é suficiente. O lixo se acumula, gerando mais uma preocupação com a proximidade da temporada de chuvas.

Na Vila Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, um dos problemas é a destinação do lixo. Foram colocadas caçambas em ruas próximas da comunidade, locais em que o caminhão pode passar e recolher o lixo. “Resolve em parte, uma vez que o lixo não tem contato direto com o solo. Quando chove, se o lixo tem contato com o solo, vai escorrer pela rua e fazer entupimento nas galerias de esgoto”, afirma o comerciante Pedro Versone.

“Faltam caçambas não só lá para cima, mas no final da rua, em toda a dimensão da rua. É necessário colocar mais caçambas para que cada morador coloque seu lixo próximo da sua casa”, completa Versone.

Pelas ruas, vielas e becos da parte alta da favela, não há sequer um depósito. É a justificativa que os moradores têm para jogar lixo e entulho nas áreas abandonadas. “Nós temos que descer com o lixo nas mãos, descer as escadas, ir até a avenida, porque só lá que realmente o caminhão passa para colher todo o lixo”, diz a auxiliar administrativa Iralva Gomes Rodrigues.

Na esquina da Avenida General Penha Brasil com a Praça da Paz, um dos lugares mais movimentados da Vila Brasilândia, o lixo deixa a situação difícil. “O destino do lixo, com certeza, é o bueiro, o córrego. Nós temos aqui o Córrego Cabuçu. Vai tudo para o córrego e depois vai encher a casa das pessoas. As pessoas vão sofrer com as enchentes”, diz Henrique Deloste, presidente da associação dos moradores da Brasilândia.

Zona Leste

A falta de coleta de lixo não é exclusividade de uma ou outra região da capital. Os moradores do Jardim Elba, na região de Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, sofrem com o mesmo problema: o lixo abandonado nos becos.

“Eles não põem caçamba aqui dentro. As famílias têm que pegar o lixo e jogar lá na rua, que têm uma caçamba na avenida, na entrada do beco. Se houvesse coletores da própria comunidade, isso não estaria acontecendo, porque as famílias iam se conscientizar de que o lixo tem que ir para a caçamba”, diz a educadora social Elisabete Silvério.

Boa parte da favela fica no alto do morro e muita gente não desce para depositar o lixo na avenida por onde passa o caminhão de coleta três vezes por semana. Os moradores preferem colocar no alto, formando uma montanha de detritos.

Segundo a supervisora de fiscalização do Limpurb, Helena Terzella, a Prefeitura de São Paulo pretende ampliar o serviço de coleta em favelas. “Em 105 comunidades carentes nós já temos esse serviço e funciona muito bem. Os coletores são da própria comunidade. Vamos ampliar no ano que vem e até lá vamos orientar a população. Vamos colocar mais contêineres também.”

Solução

A cidade de Diadema, no ABC, encontrou uma solução para esse problema. Contratou coletores comunitários. São os próprios moradores que ajudam a recolher o lixo nas casas e levar até a rua por onde passa o caminhão da Prefeitura.

A coleta de lixo mudou a vida dos moradores do núcleo habitacional Caviúna. O serviço veio com a criação do grupo de coleta, há três anos. Os próprios moradores da comunidade trabalham para recolher o lixo de ruas e vielas.

Na comunidade, moram 1.150 famílias. No núcleo, há 49 vielas, nas quais não é possível um caminhão entrar para pegar o lixo. Todos os dias, os oito coletores entram pelas vielas, vão passando de porta em porta, sobem as escadas e trazem todas as sacolas de lixo para o final da viela.

Com o serviço, a população corre menos risco de pegar doenças como a dengue e a leptospirose, e uma parte significativa do lixo pode ser reciclada. No começo, alguns moradores até resistiram à idéia, mas hoje todos percebem a importância do trabalho dos coletores comunitários.    

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