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Moradores retirados de área invadida voltam a enfrentar a PM em SP

Moradores retirados de área invadida voltam a enfrentar a PM

Atualizado: Segunda-feira, 23 Janeiro de 2012 as 10:12

Moradores retirados da área invadida conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, no interior paulista, voltaram a enfrentar a Polícia Militar na manhã desta segunda-feira (23). Durante a madrugada, uma ambulância, uma escola e um posto de saúde foram incendiados, segundo a PM. Dez ônibus com policiais foram enviados para reforçar a segurança no local. Neste domingo, a PM cumpriu a ordem de reintegração de posse no Pinheirinho. Segundo a PM, 30 pessoas foram levadas à delegacia desde o início da operação e cinco permaneciam presas nesta manhã.


Nesta manhã, os manifestantes jogaram bombas, pedras e pedaços de paus contra a PM, que revidou com tiros de bala de borracha. Pelo menos uma pessoa ficou ferida. Segundo o coronel Messias, que coordena a operação, o tumulto começou após os manifestantes segurarem um guarda municipal que estava a caminho do trabalho. Segundo o coronel, foi necessário usar balas de borracha e bombas de efeito moral para garantir a integridade física do guarda. Ele considerou a retirada dos moradores da área invadida como "pacífica". Segundo o coronel, foram apreendidos um carro roubado, drogas, arma e três foragidos da Justiça foram capturados desde domingo.


Ainda segundo o coronel, três adolescentes que atearam fogo em uma padaria foram apreendidos. Com eles, foram encontrados produtos furtados do estabelecimento.


Nas tendas montadas pela Prefeitura de São José dos Campos que funcionam como centros de encaminhamento, houve um princípio de confusão. No local, os moradores do Pinheirinho podem se inscrever para voltarem às suas casas e retirar móveis e demais objetos. Também é feito o encaminhamento para os abrigos montados. A Guarda Civil estava posicionada próximo às tendas. Grades de proteção foram forçadas.
Por volta das 9h, os moradores já haviam iniciado a retirada dos móveis de suas casas. O trabalho era feito com acompanhamento da PM, dos bombeiros e de oficiais de Justiça.

Segundo a Prefeitura de São José dos Campos, 623 famílias foram levadas na noite deste domingo para dois abrigos cobertos e receberam cobertores e um kit para higiene pessoal. Ainda segundo a Prefeitura, cinco locais foram preparados para receber as famílias removidas do Pinheirinho.

Desocupação
As cerca de 7 mil pessoas que viviam na área invadida foram removidas da região no início da noite deste domingo, informou a PM.
Segundo a polícia, a maioria dos moradores saiu de forma pacífica da região. “A gente enfrentou mais resistência fora do Pinheirinho”, disse o coronel Messias. Entre os oito carros queimados está uma unidade móvel de jornalismo da TV Vanguarda, afiliada da TV Globo no Vale do Paraíba.


O efetivo da polícia na ação foi de 2 mil homens, recrutados de cidades vizinhas e de São Paulo. Cerca de 220 veículos, um carro blindado e dois helicópteros Águia, além de 40 cães e cem cavalos, também participaram da operação.
No fim da tarde deste domingo, tratores começaram a demolir algumas casas e barracos do terreno do Pinheirinho. Houve um princípio de tumulto. Pessoas que estavam no centro de triagem enfrentaram os policiais e a Força Tática reagiu com gás de pimenta e tiros de borracha.


Os manifestantes chegaram a ocupar por cerca de 30 minutos a pista sentido Rio de Janeiro da Via Dutra, em São José dos Campos.

Invasão
O terreno de mais de 1 milhão de metros quadrados foi invadido há 8 anos e pertence à massa falida de uma empresa do especulador Naji Nahas. No local vivem cerca de 1.600 famílias, cerca de 5.500 pessoas, segundo o censo da Prefeitura. Com o tempo, o Pinheirinho se tornou um bairro, com comércios e igrejas.

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