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Morte de juíza pode ser represália, acredita associação de magistrados

Morte de juíza pode ser represália, acredita associação de magistrados

Atualizado: Sexta-feira, 12 Agosto de 2011 as 11:19

Tahiane Stochero Do G1, em São Paulo

imprimir O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra, acredita que a juíza Patrícia Acioli, morta a tiros na noite de sexta-feira (12), pode ter sido provocada por algum suspeito que tenha sido condenado por ela e que buscasse vingança ou retaliação.

"É provável que a ação tenha sido realizada por alguém que tivesse sido  condenado por ela ou que estivesse para ser condendo logo", afirma ele.

Patrícia era conhecida por atuar com rigor contra grupos de extermínio que agem em São Gonçalo. Na lista de condenações há casos contra milícias e máfias dos combustíveis e dos transportes alternativos.

“Com certeza ela foi vítima em razão do cargo que ocupava, pois reprimia condutas de homicídios e pagou com a própria vida pelo cargo”, acrescenta ele. Segundo Calandra, a juíza tinha escola individual, mas dispensou após se casar com um policial.

Familiares relataram que a juíza havia recebido quatro ameaças nos últimos cinco anos. Na emboscada na noite de sexta-feira, o carro dela foi atingido com pelo menos 16 tiros. Os disparos teriam sido feitos por criminosos em dois carros e duas motos.

Falhas no sistema

Para o presidente da AMB, a morte é resultado de falhas no sistema processual penal, que permitem que condenados por crimes de homicídio fiquem em liberdade até que terminem todos os recursos possíveis no Judiciário.

“Nós nos preocupamos com o atentado contra a vida desta colega. Isso é fruto de um sistema processual penal falho, onde ‘Sua Excelência’ é o réu, e não o juiz”, afirma Calandra.

    “Uma pessoa que comete um homicídio leva 11 anos para começar a cumprir a pena devido a infinitos recursos. É uma multidão de delinqüentes que fica à solta mesmo após ser condenados”, diz o desembargador.

Emboscada em Pernambuco

Calandra relembra que, no início de 2011, uma juíza de Pernambuco foi vítima de uma emboscada mesmo com escolta.

“No grupo de quatro PMs da escolta dela, havia dois que eram processados por ela por mortes. Foi armada uma emboscada e ela só escapou devido às habilidades do motorista. O caso ainda está sendo investigado”, afirma o presidente da AMB.

Para ele, a primeira ação da polícia agora, antes de investigar a morte de Patrícia, é garantir a proteção dos familiares da juíza. “Proteger a família da vítima nestes casos é regra elementar de segurança”, diz.          

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