MENU

"Motolâncias" já circulam pelas ruas de SP para salvar vidas

"Motolâncias" já circulam pelas ruas de SP para salvar vidas

Atualizado: Segunda-feira, 23 Novembro de 2009 as 12

Tem gente que não gosta delas, mas agora algumas motos em São Paulo salvam vidas. Desde 26 de outubro, circulam pelas tumultuadas vias da cidade as ''motolâncias'' do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), oficialmente chamadas de Unidade Rápida de Atendimento por Motociclista (Uram). O objetivo é dar os primeiros-socorros aos pacientes de forma ágil, enquanto a ambulância não vem.

Com 20 alunos, a primeira turma se formou em outubro e a segunda finaliza o curso neste fim de semana. O projeto é uma parceria do governo de São Paulo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Ministério da Saúde, que diz ter doado 356 motos para o estado. Oitenta delas estão na capital. O investimento federal foi de R$ 5,6 milhões.

''Com as motos, a gente espera reduzir o tempo médio de espera para dez minutos, que é o mundialmente recomendado'', aposta o coordenador do Samu, Paulo Kron. Segundo ele, a vítima chega a esperar, em média, 18 minutos para ser atendida hoje - tempo do chamado pelo 192 até o momento em que a ambulância chega ao local.

Os pilotos das ?motolâncias? são enfermeiros e auxiliares de enfermagem que já trabalham no Samu de São Paulo. Para participar do programa, os funcionários precisam saber andar sobre duas rodas há pelo menos dois anos. Apesar disso, recebem um treinamento especial, ministrado pela PRF. E São Paulo é a cidade pioneira.

Aulas

O G1 acompanhou parte das aulas práticas em um batalhão da Polícia Militar, na Zona Leste. O curso da PRF foi adaptado para os agentes do Samu, que levam na garupa mochilas com equipamentos de primeiros-socorros. As motos são caracterizadas e têm sirene. Cada turma tem 20 alunos e as equipes já formadas estão em duas bases: perto do Metrô Armênia, na Zona Norte, e outra no Campo Belo, Zona Sul.

''As equipes vão com o suporte básico para, por exemplo, estancar uma hemorragia, atender um caso de trauma'', explica o enfermeiro Samuel Ometto, de 47 anos, coordenador do grupo que usa as ''motolâncias''. Além do tempo mais curto, ele aponta outra vantagem do veículo de duas rodas. ''As motos chegam em locais onde as ambulâncias não conseguem, como em escadarias ou favelas''.

O instrutor da PRF Wagner Flausino era quem aplicava prova nos alunos e ajudava nas aulas práticas na manhã desta quinta-feira (19). ''Aqui, ensinamos a pilotar com segurança, passar no meio dos carros, desviar dos buracos e tem a parte da mecânica, em que o aluno precisa saber solucionar alguma pane no meio do caminho'', conta ele.

Mãos atadas

Auxiliar de enfermagem no Samu há dois anos, Edileine Santos Lopes, 33, é uma das três mulheres que se formam este fim de semana. Para ela, abrir o caminho com a moto para o primeiro atendimento é como a liberdade. ''Dentro da ambulância, você está de mãos atadas, tem aquela angústia de não conseguir passar''.

O frio da barriga quando estrear nas ruas é inevitável. ''É um desafio para gente, mas também um privilégio''. O enfermeiro Valmir da Silva Lecca, 37, está na mesma turma de Edileine e acredita que a habilidade ao guiar motos há 15 anos pode ajudar no pronto atendimento.

''O principal é você gostar de pilotar, ter um perfil cuidadoso. E o curso foi fundamental porque nos deu noções de prevenção de acidentes'', conta ele. ''Tem que ter muita vontade de salvar vidas'', diz Edileine, resumindo o espírito do trabalho.

veja também