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Motorista que causou acidente com dez mortos 'só chora', diz advogado

Motorista que causou acidente com dez mortos 'só chora', diz advogado

Atualizado: Segunda-feira, 18 Julho de 2011 as 3:27

O advogado Almir Jonas de Poli, que defende o motorista Rogério dos Santos, de 41 anos, contou na tarde desta segunda-feira (18) que seu cliente está “abalado psicologicamente” e “só chora”. Na noite de sábado (16), ao tentar sair de uma estrada rural e acessar a Rodovia Assis Chateaubriand, em Penápolis, interior de São Paulo, o condutor do caminhão de cana colidiu com uma van, segundo a polícia. Dez ocupantes do veículo morreram.

Segundo o delegado Mauro Gabriel, a batida deixou ainda quatro feridos. Ele contou que também se envolveram na colisão dois caminhões, um ônibus e um Monza. O advogado afirmou ao G1 que deve apresentar Santos à polícia ainda nesta semana. “Ele está psicologicamente abalado e só chora, só chora. Fica falando na criança que morreu.” Uma das vítimas do acidente é um bebê, que estava na van.     Para a polícia, Santos fugiu do local e não prestou socorro aos feridos. O advogado contestou essa versão. “Ele ficou apavorado com a situação. Não fugiu. Chamou a polícia e, com a chegada dela, achou que ia atrapalhar. Por conta própria deixou o local com medo de represálias”, afirmou o defensor, acrescentando que o cliente não tem interesse em fugir. “É uma pessoa honesta e trabalhadora.”

Jonas de Poli também sustentou que Santos teve um problema mecânico no caminhão. “Quando ele foi fazer travessia (acessar a rodovia), quebrou um pino da carreta. Ele já saiu do caminhão e foi dando sinal para os outros motoristas pararem. O pessoal que se envolveu no acidente não parou.” Para o advogado, isso pode ter ocorrido porque eram 21h e estava escuro. Com a colisão, parte da cana tombou na pista.

Questionado, o delegado Mauro Gabriel negou saber desta versão. “Em nenhum momento os policiais que estiveram no local relataram essa circunstância. Não consta do boletim de ocorrência.” Ele disse que, se Santos não se apresentar, pode pedir a prisão preventiva dele. Caso seja indiciado, o motorista do caminhão de cana vai responder por homicídio culposo e lesão corporal, já que também houve feridos.

O delegado disse que Santos pode responder dez vezes pelo crime de homicídio por causa das dez mortes. Se ele for julgado e condenado à pena mínima, por exemplo, que é de dois anos, a sentença pode ser fixada em 20 anos de prisão. Mauro Gabriel afirmou ainda que, se ficar comprovado que ele fugiu sem prestar socorro, o tempo na cadeia pode ser maior.          

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