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Movimento grevista opõe oficiais a praças na PM do Rio

Movimento grevista opõe oficiais a praças na PM do Rio

Atualizado: Sexta-feira, 10 Fevereiro de 2012 as 5:24

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro

iG presenciou conversa entre capitão e tropa no Leblon. Comandante disse que policiais estavam mal informados e que paralisação é proibida

 

O movimento grevista dos policiais militares opôs as duas categorias da corporação: oficiais (responsáveis pelo comando da tropa, contrários a paralisação) e praças (patentes mais baixas, o grosso da tropa, favor). Enquanto soldados, cabos e sargentos engrossavam o movimento e estavam mais dispostos a aderir à greve, reivindicando aumento de salários e pregando a paralisação, oficiais se empenhavam em tentar convencer a tropa a não parar.

Leia também: PM usa pressão militar, ameaça exclusão sumária, e tropa vai às ruas

 

 

PMs param carros do batalhão do Leblon na calçada da unidade na madrugada

Foto: Raphael Gomide

Ainda sem uma diretriz tão clara e dura, o principal argumento na madrugada desta sexta-feira era o de que a greve é vedada aos militares pela Constituição Federal.

 

Desde o início da semana, os comandantes falavam contra a paralisação em discursos da Ordem do Dia à tropa. Os oficiais também buscavam apelar ao sentimento de responsabilidade dos PMs, dizendo que a sociedade não poderia ficar sem patrulhamento.

O iG presenciou uma dessas discussões à 1h15 desta sexta-feira, no Leblon. Treze viaturas do 23º Batalhão estavam estacionadas com o giroscópio aceso, em frente à Cobal do bairro da zona sul do Rio, enquanto cerca de 50 PMs fardados e à paisana discutiam o que fazer.

Muitos vestiam camisas azuis pregando greve e tinham o rosto pintado de azul. Alguns tinham acabado de chegar da manifestação no Centro, que decidira pela greve.

“Pode chegar, rapaziada! Pode chegar! Não vou marcar a cara de ninguém, não!”, chama um capitão, que tentava lhes falar para demovê-los da greve.

 

“Aos olhos da sociedade não vai adiantar, vão entender que vocês estão trabalhando. Enganaram vocês, a greve não é permitida! Vocês estão mal informados. O artigo 142 da Constituição proíbe a greve”, pregava um capitão do batalhão, junto aos praças. Os PMs pediram para o iG parar de filmar nesse momento.

Ao mesmo tempo, o comando da PM já iniciara um dispositivo de oficiais para pressionar os policiais. “Tem um major da DPJM na porta do batalhão ameaçando prender todo mundo”, disse um PM. “Estão pedindo para patrulharmos, mas não vamos”, afirmou esse soldado.

“O Bope está preso, e a gente aqui, dando de c...zão!”, disse um PM. “Tem mais de dez batalhões em greve. Pensem bem, vamos passar mais uma vez como c...zões”, conclamou outro soldado, a favor da paralisação.

“Vão para casa! Não podem regressar para o batalhão (para ficar aquartelados)! Não deixem a sociedade desassistida”, insistia o capitão.

O grupo de cerca de 50 PMs desligou as luzes dos veículos e os dirigiu até a calçada do batalhão, na avenida Bartolomeu Mitre, no Leblon, onde os estacionou. Na manhã desta sexta-feira, porém, diante do endurecimento do comando geral da PM e da ameaça de expulsão sumária, a maior parte dos policiais acabou voltando a patrulhar as ruas.


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