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MP apura mais uma denúncia de que prefeitura sabia de risco no Bumba

MP apura mais uma denúncia de que prefeitura sabia de risco no Bumba

Atualizado: Quinta-feira, 24 Junho de 2010 as 9:25

O Ministério Público do Rio investiga mais uma denúncia de que a prefeitura de Niterói sabia dos riscos de deslizamento no Morro do Bumba . O primeiro alerta teria sido feito em 1996. De acordo com a nova denúncia, a prefeitura tinha conhecimento dos riscos na ocupação da comunidade. A testemunha é um ex-funcionário da Cedae que trabalhou como voluntário na Defesa Civil de Niterói entre 1994 e 1997.

Segundo ele, neste período, foram feitos vários levantamentos das áreas de risco da cidade. O material gerou mais de 300 pareceres e alertou para os pontos mais críticos, entre eles o Morro do Bumba.

Os deslizamentos, após a chuva de 7 de abril, causaram mais de 165 mortes no município, sendo 47 no Morro do Bumba , construído sobre um lixão desativado. Outras sete mil pessoas ficaram desabrigadas no município.

Prefeito não comparece a depoimento

O denunciante afirma que os relatórios foram encaminhados aos prefeitos João Sampaio, que governou até 1996, e para Jorge Roberto Silveira, que assumiu em 1997. O prefeito Jorge Roberto já foi convocado para prestar depoimento , mas alegou problemas de saúde e não compareceu.

A promotoria de meio ambiente já ouviu o atual secretário de Serviços Públicos da cidade, José Roberto Mocarzel, também citado no inquérito. Segundo o MP, o secretário negou que tivesse conhecimento da situação no Morro do Bumba.

Além desse inquérito civil, a prefeitura responde a um outro procedimento no Ministério Público estadual, que apura as responsabilidades criminais na tragédia, em que morreram 45 pessoas.

Outras denúncias de risco

Esta não foi a primeira suspeita de uma suposta negligência da prefeitura recebida pelo MP. Também fazem parte do inquérito um estudo realizado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em 2003, que chamava atenção para os problemas no morro e um e-mail encaminhado pelo secretário municipal de integração comunitária, João Batista Medeiros, ao prefeito Jorge Roberto Silveira, uma semana antes do deslizamento no Bumba.

O Bumba é um lixão desativado que se transformou em favela. A prefeitura chegou a fazer obras de urbanização e as famílias pagavam impostos municipais.

Dois meses e meio depois do deslizamento, uma máquina ainda trabalha no local. Pelo menos três pessoas ainda estão morando em imóveis condenados pela defesa civil. Outras famílias continuam em abrigos.

Postado por: Cristiano Bitencourt

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