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MP do Rio denuncia falsa psicóloga e marido por estelionato

MP do Rio denuncia falsa psicóloga e marido por estelionato

Atualizado: Quarta-feira, 11 Maio de 2011 as 1:33

Falsa psicóloga foi denunciada nesta terça-feira (10) (Foto: Reprodução / TV Globo)

  O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciou à Justiça a falsa psicóloga que atendia crianças autistas há mais de dez anos e também o marido dela. A denúncia foi feita na terça-feira (10). Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (11), pela assessoria do MP-RJ, ele foi denunciado por estelionato e propaganda enganosa. Já a suspeita vai responder pelos mesmos crimes e ainda por falsificação de documentos.

De acordo com o MP-RJ, o promotor Celso de Andrade Loureiro, da 11ª Vara Criminal, pediu a prisão preventiva dela e o bloqueio de todos bens. Se for condenada, ela pode pegar até 10 anos e seis meses de prisão, segundo informou o Ministério.

Ainda de acordo com o MP-RJ, o marido da suspeita administrava as finanças da clínica, mas não assinava nenhum documento da unidade.

Marido presta depoimento 

O marido da falsa psicóloga presta depoimento na manhã desta quarta-feira, na Delegacia do Consumidor (Decon). Segundo o delegado Maurício Luciano Almeida e Silva, ele poderá ser indiciado como co-autor dos crimes, já que ele tinha conhecimento dos atos da mulher e coordenava a parte financeira dos negócios.

Presa novamente

A falsa psicóloga que atendia crianças autistas numa clínica em Botafogo, na Zona Sul, voltou a ser presa na manhã de sábado (7). Segundo o delegado, um  mandado de prisão temporária por 30 dias foi expedido pelo plantão do Tribunal do Justiça, na noite de sexta-feira (6). Um dia antes, a polícia já havia informado que a suspeita ia responder pelo crime de tortura .

A suspeita foi presa num imóvel na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, que, segundo ela, pertence a sua mãe. Outros dois imóveis, um no Méier, onde reside o pai da suspeita, e outro em Botafogo, que seria a sua própria residência, também foram vasculhados pela polícia. Na Barra, a polícia encontrou cerca de R$ 3.500, valor considerado pequeno pelo delegado.

Quebra do sigilo bancário e fiscal

"Vamos pedir a quebra do sigilo bancário e fiscal dela, do marido e da clínica que ela tinha. Sabemos, por exemplo, que ela arrecadou cerca de R$ 800 mil com os pais que foram à delegacia noticiar os fatos. Esse valor é apenas de 3 anos para cá e de um grupo pequeno de pais que foram atendidos por ela. Teve um pai que contou que gastou R$ 270 mil com o tratamento do filho. Sabemos também que ela arrecadou R$ 500 com os convênios com a Marinha e a Aeronáutica", disse o delegado, na época.     O delegado informou ainda que a falsa psicóloga não costumava dar recibo aos pais pelos serviços prestados. "Vamos checar também o imposto de renda, porque ela era uma sonegadora. Sabemos também que não assinava carteira de nenhum terapeuta contratado por ela. Eles eram prestadores de serviço, recebiam em dinheiro vivo ou com depósito em conta", detallhou o titular. 

Tratamento agressivo

Segundo relatos de testemunhas à polícia, a suspeita usava tratamentos agressivos para fazer com que as crianças autistas que travava se alimentassem. “Ela dispensava um tratamento de intervenção familiar que não é correto. Terapeutas relataram em depoimento que ela imobilizava as crianças, amarrando pernas e braços para fazer com que elas comessem. Em alguns casos, cobria a boca das crianças para que elas não cuspissem a comida”, descreveu o delegado.

Ainda de acordo com Maurício Luciano, uma das funcionárias interrogadas chegou a dizer em depoimento que “sentia que o propósito era que as crianças não melhorassem e que os pais se eternizassem pagando as consultas”.

Entenda o caso

A falsa psicóloga foi presa em flagrante no dia 27 de abril. De acordo com as investigações , ela não possui graduação em curso superior, nem especialização em psicologia.

Segundo a polícia, ela atuava há 12 anos e atualmente ‘tratava’ cerca de 60 pacientes. Imagens feitas no centro de tratamento mostram a suspeita conversando com uma delegada, pensando se tratar da mãe de um futuro paciente.

De acordo com a polícia, ela cobrava, em média, R$ 90 por hora. Na delegacia, segundo a polícia, a falsa psicóloga disse informalmente só ter cursado dois períodos da faculdade de psicologia.      

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