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Mulher diz que africano morreu após ser espancado por 10 minutos em MT

Mulher diz que africano morreu após ser espancado por 10 minutos em MT

Atualizado: Sexta-feira, 23 Setembro de 2011 as 3:47

Toni Bernardo cursava economia na UFMT em Cuiabá.

(Foto: Reprodução/TVCA)

  “Ele não teve tempo de reagir e morreu em 10 minutos”. A declaração é de uma testemunha que presenciou a morte do universitário africano Toni Bernardo da Silva, de 27 anos, que foi espancado por dois policiais militares e mais um empresário em uma pizzaria em Cuiabá, na noite desta quinta-feira (22). Por temer represálias, a testemunha preferiu não ter a identidade revelada.

Ela contou ainda que Tony chegou ao local pedindo dinheiro e que era comum ver o rapaz no estabelecimento. O estudante que cursou economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) fez várias abordagens aos clientes do estabelecimento, até que ele chegou na mesa em que o empresário e a namorada dele estavam e pediu R$ 10. “Ele [Tony] deu um abraço nela por trás, o namorado deu um empurrão nele e os policiais foram pra cima do cara com socos na cara dele”, disse.

Uma outra moradora do bairro tentou apartar a briga, mas não conseguiu. O estudante morreu no local. Os policiais militares, ambos de 24 anos, estavam à paisana e, segundo a testemunha, a todo momento, se identificaram como policiais militares. O empresário, filho de um delegado aposentado em Mato Grosso, e os dois policiais prestaram depoimento à polícia e estão presos. Os policiais estão presos no 3º Batalhão da PM e o empresário em um presídio da capital. Na Justiça, eles deverão responder pelo crime de homicídio. Em depoimento, os policiais alegaram apenas que imobilizaram o rapaz   Laudo inicial do Instituto Médico Legal (IML) aponta que o estudante de Guiné-Bissau morreu asfixiado por conta de uma lesão na traqueia. O laudo final deve ficar pronto nos próximos 10 dias. Outras testemunhas que presenciaram o espancamento já prestaram depoimento à polícia.

Amigos de Tony, também africanos, estiveram na manhã desta sexta-feira (23) na Assessoria de Relações Internacionais da UFMT para que a instituição preste auxílio no caso. Ao G1 , Nito Jorge Gomes, que já cursou administração na UFMT, disse que a vítima era incapaz de agredir qualquer pessoa. “A gente conhece Tony. Ele não tinha coragem de agredir ninguém. Esta situação é muito triste”, enfatizou. Nito Gomes informou ainda que a família do amigo morto já foi avisada e o traslado do corpo será negociado com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e de Guiné-Bissau.

Vida acadêmica

Tony desembarcou em Mato Grosso no ano de 2006 para estudar economia. Segundo informações da UFMT, ele fazia parte do Programa Estudante Convênio de Graduação (PEC-G) e deveria se formar em 2010. De acordo com a UFMT, Tony apresentou problemas durante a graduação e acabou abandonando o curso, por conta do uso de drogas. Contra ele, há registros de quatro passagens pela polícia, por tentativa de furto, pertubação pública e ameaça.

Em nota, a UFMT diz que prestou a assistência necessária ao estudante. “Foram prestadas assistência e acompanhamento psicológico ao estudante, por meio da Coordenação de Assistência e Benefícios (Cabes), sem a adesão satisfatória [do aluno]”, conforme trecho da nota. A Pró-Reitora de Ensino e Graduação da UFMT, Miriam Serra, disse que já acionou a Polícia Federal para atuar no caso. “Todas as medidas que estiverem ao alcance da UFMT serão tomadas em solidariedade”, disse.

Investigações

O corregedor da Polícia Militar de Mato Grosso, Joelson Sampaio, disse que está acompanhando de perto as investigações da Polícia Civil e vai esperar a confirmação se de fato os policiais participaram do crime. “Algumas testemunhas viram o empresário dando chutes na vítima e outras testemunhas disseram que viram a vítima sendo agredida pelos policiais”, ressaltou.

Ainda segundo Sampaio, um dos policiais adentrou recentemente à corporação e outro no ano de 2008. A Polícia Militar já abriu inquérito administrativo que vai apurar a conduta dos policiais. Sampaio confirmou que os policiais estavam à paisana no local comendo um lanche.          

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