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Mulher é presa na BA por suspeita de golpe que pode ter 2 mil vítimas

Mulher é presa na BA por suspeita de golpe que pode ter 2 mil vítimas

Atualizado: Quinta-feira, 3 Novembro de 2011 as 1:15

Uma mulher de 27 anos foi presa em flagrante em Salvador sob suspeita de vender produtos eletroeletrônicos através do site "Q Lojão" e não entregar as mercadorias aos consumidores. De acordo com a polícia, pelo menos duas mil pessoas estão cadastradas nos documentos da empresa e podem ter sido lesadas.

"Se não todas, boa parte é vítima. Ela é webdesigner e tem uma empresa de criar sites. Pensou então que poderia criá-los e fazer vendas. Ela confessou o crime", afirma Charles Antônio Leão, titular da Delegacia de Repressão ao Estelionato e Outras Fraudes (Dreof). A mulher está desde terça-feira (1°) detida na  Derca, unidade que é especializada na repressão a crimes contra crianças e adolescentes, mas possui carceragem feminina e abriga suspeitas relacionadas a outros tipos de crime.

Indícios levantados pela polícia apontam que a atuação, enquadrada no crime de estelionato, ocorre desde o mês de maio. Ela teria aberto e fechado duas outras lojas virtuais: a ‘Ganhe na Net’ e a ‘Une Br’.   A denúncia chegou até a polícia depois que um grupo de vítimas se reuniu na sede da empresa "Q Lojão", na Avenida Dorival Caimmy, no bairro de Itapuã, para reivindicar a entrega dos produtos. Uma delas ligou para o 190 e acionou a Polícia Militar. “Quando os policiais chegaram ao local, encontrou a suspeita no computador e as vítimas nervosas, exigindo as mercadorias. Tem um volume enorme de pedidos, que estava guardado em duas caixas, tipo arquivos, com os boletos. Ela vendia para o Brasil todo”, relata o investigador Romoaldo Souza, coordenador do Serviço de Inteligência da Dreof em Salvador.

Além da capital baiana, ele conta que há registro de pessoas lesadas no interior do estado, em Brasília e em Porto Alegre. “No local, a gente encontrou uma lista, tipo um controle de caixa, que enumerava mais de dois mil clientes, mas ainda não sabemos qual a quantidade exata de vítimas, se todas não receberam a mercadoria. Para isso, temos que fazer a separação dos documentos”, diz.

Na sede da loja, a Polícia Civil apreendeu documentos que comprovam o crime. Um computador apreendido na casa de uma das funcionárias também servirá às investigações. Segundo Romoaldo Souza, algumas vítimas revoltadas com a situação saquearam computadores da empresa, o que atrapalhou a coleta de arquivos. Cinco vítimas baianas foram ouvidas ainda na segunda-feira e outras três não puderam devido a ausência de documentos.

Segundo o delegado Charles Leão, a investigação pretende constatar se há mais pessoas envolvidas no crime, além de verificar quais são os provedores que abrigam o site, pedir o bloqueio e o sigilo fiscal das contas utilizadas pela empresa e pela suspeita e saber se a empresa está autorizada a atuar neste tipo de comércio. A procedência das mercadorias também será averiguada.

O site Reclame Aqui, que reúne denúncias de consumidores contra empresas, registra 11 reclamações em relação a "Q Lojão", inseridas entre junho e setembro deste ano. Um dos registros, datado de 5 de julho deste ano, é de uma mulher que diz ter feito uma compra de notebooks pelo site no valor de R$ 6.300. Com base no relato, por desistência foram devolvidos R$ 2 mil pela empresa, ficando um crédito de R$ 4.300 para compra dos produtos, que até o momento não chegaram. "Tem histórias parecidas com a minha, só que o meu valor não se compara", descreve no site a vítima, que dizia estar no Ceará.        

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