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Museu Paulista recebe acervo histórico do Mappin

Museu Paulista recebe acervo histórico do Mappin

Atualizado: Quinta-feira, 12 Junho de 2008 as 12

O Museu Paulista (MP) da USP, conhecido como Museu do Ipiranga, acaba de receber o acervo histórico da loja de departamentos Mappin, que funcionou em São Paulo entre 1913 e 1999. A coleção, que inclui peças publicitárias, catálogos, recortes de jornais, fotografias, rolos de filmes e fitas de vídeo, será tratada, catalogada e trabalhada para integrar a exposição sobre espaço doméstico do Museu. No início do ano que vem, o material deverá estar à disposição de pesquisadores para consultas.

O material começou a ser organizado pelo Mappin em 1983, a partir de um trabalho de pesquisa das historiadoras Zuleika Alvim e Solange Peirão, que deu origem ao livro Mappin 70 anos. Em 1985, a empresa Grifo Projetos Históricos e Editoriais foi contratada para catalogar o acervo. Ao mesmo tempo, foi feito um trabalho de restauração, pela equipe comandada por Percy Longo Filho. Uma das restauradoras, Iraci Margarida dos Santos, passaria depois a gerenciar o material. Com a decretação da falência do Mappin, em 2001, o acervo foi interditado pela justiça e Iraci foi nomeada como fiel depositária.

?No ano passado, o MP manifestou interesse em ter a guarda da coleção, concedida pelo juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira?, conta a professora Vânia Carneiro de Carvalho, diretora da divisão de acervo e curadoria do Museu Paulista. ?Não se trata exatamente de um arquivo, pois não reúne um conjunto representativo das atividades exercidas pela empresa, mas essencialmente de uma coleção de peças publicitárias?. São cerca de 60 mil recortes, com notícias e anúncios veiculados pela loja. O material também inclui 4 mil fotografias, 30 catálogos, 65 rolos de filmes 35 mm e 100 fitas de videotape, com registros de desfiles de modas e material publicitário, como comerciais de televisão.

Pesquisa

Algumas das peças do acervo, como fotos e catálogos de produtos, estão expostas em um espaço destinado a apresentar coleções recém-incorporadas ao MP. No entanto, o material deverá ser aproveitado na nova exposição permanente sobre cotidiano e sociedade, na Ala Superior Oeste do Museu, abordando a evolução do espaço doméstico, sistemas de decoração e o surgimento das funcionalidades modernas. A mostra reformulada deverá ser aberta ao público no final de 2009. ?A trajetória do Mappin demonstra como as pessoas aprendem a consumir através de novos espaços e da publicidade?, explica a professora.

Os anúncios das primeiras décadas do século passado tinham longos textos, quase doutrinários, que buscavam convencer o consumidor das vantagens dos artigos domésticos importados. Vânia Carvalho ressalta que mesmo quando era considerado uma loja de luxo, o Mappin já vendia a imagem das elites para os segmentos médios da população. ?Os anúncios também mostram estratégias publicitárias dirigidas às colônias estrangeiras que residiam em São Paulo na época, como as de italianos e alemães?.

Para permitir a utilização do material, o Museu irá elaborar até o final do ano um projeto de pesquisa e curadoria, agregando pesquisadores, bolsistas de iniciação científica, a equipe técnica do Museu e prestadores de serviço. ?Uma vez conseguidos os recursos com as agências de pesquisa, o projeto será executado no ano que vem?, planeja Vânia. O acervo encontra-se em bom estado de conservação, mas deverá passar por um processo de limpeza, que inclui a substituição das caixas que arquivam os recortes de jornais. Um trabalho específico deverá ser feito com os filmes e vídeos.

?O que existe atualmente é uma catalogação manual das peças?, afirma a professora. Todo o material será revisto, com digitalização de imagens e formação de um banco de dados, para aproveitamento em pesquisas e exposições. O acesso ao acervo deverá ser aberto a pesquisadores no ano que vem, mediante agendamento, mesmo que a catalogação manual ainda não tenha sido substituída.

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