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MV Bill não descarta continuar carreira de ator após "Malhação"

MV Bill não descarta continuar carreira de ator após "Malhação"

Atualizado: Quarta-feira, 22 Setembro de 2010 as 11:34

A atual temporada de "Malhação" trouxe muitas novidades. Uma das mais interessantes delas é a contratação do rapper, autor, escritor e ativista social Alex Barbosa. Mais conhecido como MV Bill, ele era um dos principais críticos da novela. "Justamente por falar de juventude e não ter o 's' de pluralidade no final. Nós temos "juventudes" e elas acabavam não se vendo dentro de um programa que acho tão importante pelo horário e pela proposta de ser uma novela jovem", diz o intérprete do professor Antônio.

MV Bill jamais se considerou um "reclamão". Segundo ele, suas críticas eram positivas. Ele acreditava que a equipe de "Malhação" produzisse conteúdo para que outras pessoas de diferentes origens e cores também pudessem aparecer. "Quando fui convidado para essa mudança, achei que seria uma contradição não participar deste momento já que era grande crítico do programa. Estou adorando", conta. Entretanto, MV Bill não se considera ingênuo e afirma que não dá para esperar que um programa de 30 minutos consiga mudar algo histórico. "O primeiro passo precisa ser dado e esse é um passo importante. Por ser um programa que tem audiência, foco jovem e família, acho importante tratar de questões territoriais, periféricas, raciais e sociais", avalia o ator, que não descarta a possibilidade de continuar com carreira de ator. Ele garante estar surpreso com o próprio desempenho. "Não dá para dizer que está sendo fácil representar. Mas acho que está rolando bem. Especialmente quando atuo e o diretor diz: 'foi cena, corta!'", diz. Nascido no conjunto habitacional Cidade de Deus, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro, MV Bill interpreta um professor de Física e Matemática. "Na época em que estudava tirava boas notas em matemática, mas não chegava a ser um CDF. Longe de mim ter qualificação para lecionar sobre essas matérias", revela aos risos. O nome MV Bill vem da junção de dois apelidos: Bill, do "Rato Bill", desenho de um rato que vinha nas figurinhas de chiclete da Copa do Mundo de 1982, com MV, que surgiu após ele ler as biografias de Malcom X e Zumbi dos Palmares, passou a conscientizar moradores da comunidade onde mora por meio de conversas e rap.

Com quatro álbuns lançados, um documentário, o "Falcão - Meninos do Tráfico", exibido em 2006, no "Fantástico", da Globo, e um prêmio de melhor cantor rap no "Video Music Brasil", 2006, da MTV, MV Bill se surpreendeu com a receptividade do elenco. "O ator Junior Madalena, que faz o Franja, tem tatuado no braço 'só Deus pode me julgar'. Ele fez questão de frisar que não fez por causa da novela, mas porque já conhecia o meu trabalho e a música. Então ficou uma coisa muito próxima", refere-se ao colega de novela.

Para Bill, é novidade interpretar o professor Antônio, mas se comunicar com os jovens não. O ator garante que o novo ofício tem suas semelhanças com o trabalho que ele já desenvolve ao longo de sua carreira. "Participo de muitos debates, palestras com jovens de periferias e também com jovens de classe média", relativiza. A maior dificuldade encontrada por ele até o momento foi o figurino do personagem. "O meu primeiro desafio foi me adaptar às roupas apertadas e justas do personagem. São vestes de pessoas normais. Eu uso três vezes maior que isso", revela MV Bill referindo-se aos tamanhos cinco ou GG, de camisa social e 46/48, de calça.

Viver um professor de colégio, para MV Bill, o afasta do estereótipo do negro, que costuma interpretar na tevê papel de auxiliar de limpeza, segurança ou bandido. "Não que não tenha nobreza interpretar esses papéis, mas acho que para a história do negro acaba sendo pejorativo", defende. Em comum com o personagem Antônio, o ator também tem a perseverança e a preocupação de fazer com que as pessoas, sobretudo os jovens, interajam entre si. "Acredito que o maior recado que a minha participação possa mandar para o jovem que vem da mesma realidade que a minha é de que podemos ocupar qualquer lugar no Brasil. Basta nos qualificarmos, nos prepararmos e interagirmos", indica.

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