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Na correria, moradora torceu o pé e teve uma luxação

Na correria, moradora torceu o pé e teve uma luxação

Atualizado: Sexta-feira, 4 Janeiro de 2013 as 12:11

 

Abrigadas na Escola Municipal José Luiz Ribeiro Reseck, no Frade, em Angra dos Reis, na Costa Verde do estado, as vítimas dos deslizamentos que soterraram oito casas na Rua da Caixa D’água, no bairro Santa Rita II, no Bracuhy, em Angra dos Reis, na Costa Verde do estado, contaram, na manhã desta sexta-feira (4), como foi a tragédia. De acordo com a prefeitura, 43 pessoas estavam no abrigo nesta manhã.
 
Segundo eles, chovia forte e a luz tinha acabado de voltar, na madrugada desta quinta-feira (3), quando estrondos foram ouvidos. Mãe solteira de uma menina de 8 anos, Ana Lúcia Dias do Nascimento teve uma luxação no pé esquerdo, por conta da correria na hora de deixar a sua casa, que ficou soterrada. “A casa foi totalmente destruída. Eu estava voltando do banheiro, quando fui apagar a vela porque a luz tinha voltado, ouvi um estalo muito alto. É horrível”, disse ela, traumatizada.
 
O gari Elson Ribeiro da Silva perdeu duas casas: a que morava e uma outra que estava construindo para se mudar. Segundo ele, não restou nada. Na hora do deslizamento, tinham 10 pessoas em um dos imóveis. “Eram quase 2h, estavam todos dormindo, a luz tinha acabado de voltar. Foi só a luz chegar que aconteceu essa tragédia. Uma madeira grossa caiu no meu telhado. Tive que puxar as pessoas, as crianças e sair rápido. Perdemos tudo. Até uma moto novinha que meu filho tinha comprado um dia antes. Minha bicicleta de ir para o trabalho, está tudo aterrado lá”, contou ele.
 
A dona de casa Maria Aparecida Martins, de 38 anos, está com os três filhos e o marido no abrigo. “Minha casa não cedeu, mas caíram as do lado, foram oito casas. A Defesa Civil interditou a minha”, disse ela. “Aqui nós estamos sendo bem atendidos, mas o bom é estar em casa. A situação é difícil. Falaram que vamos ficar aqui até domingo”, completou.
 
Maria é vizinha das moradoras que perderam as casas. “Falei para elas: o importante é que vocês estão vivas. Para reconstruir tudo Deus dá força. Perder a vida, não tem jeito”, afirmou.
 
“Eu tenho medo das pessoas saquearem as minhas coisas”, afirmou a aposentada Madalena Fonseca.  A Defesa Civil interditou a casa dela. Madalena também tem receios de voltar a morar no imóvel. “Só volto para lá se me garantirem que não há risco”, disse.
 
Doações
As doações podem ser feitas nos próprios abrigos ou no Colégio Estadual Arhur Vargas (Ceav), no Centro de Angra, que está centralizando tudo. O abrigo no Frade precisa de objetos de higiene pessoal, toalha de banho e também sapatos.
 
Eliandra Soares Lopes Freitas, que é funcionária da escola, trabalha como voluntária no abrigo. “Estou ajudando como posso, recolho doações, fico com eles aqui”, disse ela.
Solidariedade
O trio de merendeiras que cozinha no abrigo feito na Escola Municipal José Luiz Ribeiro Reseck, no Frade, em Angra dos Reis, na Costa Verde do estado, trabalha com o coração nesses dias de chuva que castiga o município. Uma delas, a Celina Costa Martins, estava de férias, mas fez questão de ajudar. Segundo a prefeitura, 43 pessoas estavam no abrigo na manhã desta sexta-feira (4).
 
“Estou de férias, mas estou de coração aqui. Temos que ajudar um ao outro nessas horas”, disse ela, na manhã desta sexta-feira (4).
 
As outras suas são Gabriele Souza dos Santos e Pâmela Soares Reis. “A gente fica muito emocionada, eu não consigo nem dormir esses dias”, disse a primeira. “Ontem saímos depois das 22h daqui e chegamos antes das 7h hoje”, contou Pâmela.
 
A comida é preparada com carinho para os que sofrem fora de suas casas. A comida é farta e saudável. Pela manhã, café, achocolatado, pão e biscoitos. Para o almoço desta sexta, elas já preparavam carne ensopada, batata, arroz, feijão e salada. De sobremesa. Gelatina e frutas.
 

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