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Na opinião de Maia, religião mudou o rumo destas eleições

Na opinião de Maia, religião mudou o rumo destas eleições

Atualizado: Terça-feira, 5 Outubro de 2010 as 9:43

O ex-prefeito do Rio de Janeiro e candidato quarto colocado na corrida ao Senado (11% dos votos), César Maia (DEM), acredita que as declarações da presidenciável Dilma Rousseff (PT) sobre religião na reta final da campanha - consideradas confusas por ele -, levaram a decisão do pleito apenas para o segundo turno.

  Mesmo com mais uma derrota eleitoral, a penúltima foi em 2008, quando não conseguiu eleger Solange Amaral (DEM) prefeita do Rio, Maia segue como um dos homens fortes do Democratas, partido da base de oposição ao governo. A partir de agora, segundo ele, a missão é colaborar para que José Serra (PSDB) vença a eleição presidencial. Quando questionado se considera como uma derrota pessoal a vitória da aliança de Lula com o PMDB fluminense no governo do Estado, ele é direto: "eles são vencedores 'hoje'. A política é cíclica. Não foram 'ontem'". Confira a entrevista com Cesar Maia:

Terra - Pode fazer uma análise do processo eleitoral do País nas eleições do último domingo?

Cesar Maia Teve dois momentos. Até o início de setembro, a vitória de Dilma parecia pacífica. A partir daí, a questão dos valores cristão foi levando parte dos votos de Dilma para Marina, e a eleição mudou o vento.

No Rio de Janeiro (Romário, Bebeto, Miryam Rios), em São Paulo (Tiririca) e em outros Estados tivemos resultados surpreendentes nas urnas, com votações expressivas de alguns candidatos que não podem ser considerados como políticos. Como o senhor avalia essa "onda"?

O populismo a nível nacional deu o sinal a nível regional.

O senhor considera o crescimento da candidatura de Marina Silva, na reta final, como uma surpresa?

Não. Totalmente previsível quando o eleitor evangélico a identificou aos valores cristãos relativos à vida e à família. Em meu ex-blog informei esse crescimento desde a segunda semana de setembro e as razões.

Na sua opinião, o que definirá o segundo turno entre Dilma ou Serra?

A capacidade da campanha de Serra atrair o eleitor que migrou de Dilma para Marina e não volta mais.

Na campanha para o Senado de São Paulo, todas as pesquisas apontavam a vitória de Netinho (PC do B). No entanto, no domingo o resultado foi outro. Até que ponto o senhor, como político, diretamente envolvido em campanhas, acredita nas pesquisas?

As pesquisas não conseguem pegar alguns fatos específicos de fim de campanha como os candidatos ao Senado orientarem o voto nulo na segunda opção.

O crescimento do candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, Jorge Picciani (PMDB), na reta final, pode ser atribuído ao apoio de mais de 90 prefeitos do interior fluminense, além da força do apoio estadual de Sérgio Cabral?

Dois candidatos poderiam crescer entre os indecisos: ele e eu. Ele cresceu por uma maior capilaridade nos últimos dias.

Como o senhor avalia a sua campanha ao Senado? Faltou verba? Errou na escolha do marqueteiro?

No Rio o governo teve três candidatos. Caso único. E os puxadores aqui foram Dilma/Lula e Cabral. Serra e Gabeira ficaram no meu patamar de votos, o que dificultou o crescimento.

O senhor se sente derrotado pelo presidente Lula e a aliança com o PMDB no Estado?

Eles são vencedores "hoje". A política é cíclica. Não foram "ontem".

Se sentiu prejudicado quando Lula relembrou, de forma crítica, durante a campanha, a relação de atritos entre o governo federal, o estadual e a prefeitura do Rio de Janeiro quando o senhor era prefeito da capital fluminense?

Nada disso influenciou o voto. A popularidade de Lula, sim. Aliás, Picciani disse isso: que não venceu porque Lula só foi explicito com os dois vencedores (Lindberg e Crivella).

Visando as próximas eleições, faz planos para voltar à prefeitura do Rio? Ou pretende ser candidato a governador daqui a quatro anos?

Só tenho planos para me concentrar no segundo turno do Serra.

Postado por: Guilherme Pilão

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