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'Não abandonem a escola', diz policial recebido como herói em missa no RJ

'Não abandonem a escola', diz policial recebido como herói em missa no RJ

Atualizado: Quarta-feira, 13 Abril de 2011 as 12:56

O sargento Márcio Alves, que baleou o atirador do ataque à escola Tasso da Silveira , na Zona Oeste do Rio, foi recepcionado como herói por todos que acompanhavam a missa de sétimo dia em homenagem às vítimas. Em seu discurso, o sargento pediu para que as crianças continuassem estudando na escola.

"Aos pais, aos alunos, peço que não abandonem esta escola. Aqui vocês vão encontrar forças para se recuperar disso", disse ele, sendo aplaudido em seguida.

O sargento chegou e foi cumprimentado pelos familiares de vítimas e alunos da escola. Aos gritos de "herói" subiu no palco para receber flores e agradecimentos. Segundo ele, a maior premiação que poderia ter por ter impedido uma tragédia maior foi o reconhecimento que recebeu.

Pétalas de rosas são jogadas por helicóptero em Realengo (Foto: Patrícia Kappen/G1)

  "A minha dor não é a mesma de vocês, não chega à intensidade da de vocês, mas eu também sinto, tenho filhos", disse. "Que esse fato não se repita nunca", encerrou.

Um helicóptero da Polícia Civil jogou pétalas de rosas durante a cerimônia. Em seguida, um outro helicóptero da Polícia Militar também homenageou as vítimas da tragédia.

Multidão acompanha missa

Centenas de pessoas se reuniram para acompanhar a missa que aconteceu próximo à escola em Realengo, na Zona Oeste. O arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta celebrou a cerimônia católica que durou pouco mais de uma hora. Depois, amigos, alunos e familiares participaram de um ato ecumênico.

O público que compareceu ao local estava muito emocionado e levou faixas e cartazes em homenagem as 12 crianças mortas na última quinta-feira (7). Um palco foi montado na rua da escola municipal e a multidão tomou todo o espaço reservado.

Menino chora durante a missa realizada para as vítimas de Realengo (Foto: Jadson Marques/AE)

  Participaram da missa também, a chefe de polícia do Rio, Martha Rocha, a Secretária municipal de Educação, Claudia Costin, o ator Milton Gonçalves e a mãe da menina Isabela Nardoni, Ana Carolina.

Estudante quer voltar a estudar semana que vem

“Estou muito triste, muito triste mesmo. Eu queria mais segurança nos colégios, mas a minha princesa não volta mais. Amor de avó é um amor em dobro e eu estou lutando para me controlar, ter força”, disse Sônia Torres, avó de Larissa Atanazio, uma das crianças mortas durante o massacre.

A estudante Jade Ramos, de 12 anos, que estava presente na escola no dia da tragédia, contou que vai voltar a estudar na semana que vem. “Estou triste porque meus amigos morreram, mas feliz porque estou bem. Eu vou voltar a estudar porque preciso”, disse.

Multidão acompanha missa em Realengo (Foto: Thamine Leta/G1)

  Valdir dos Santos, pai da menina Milena, de 14 anos, vítima do massacre na escola, estava muito emocionado. "No dia que a Milena morreu, eu disse que tinham arrancado meu coração. Hoje eu digo que meu coração está cicratizando, sangrando ainda. Está ferido, e vai doer por muito tempo. A minha filha eu nunca vou esquecer, mas preciso me reerguer, porque tenho outras duas para cuidar", disse ele, pai de outras filhas de 15 e 12 anos, que segundo ele, estão muito abaladas.

Ele afirmou que a manifestação nesta quarta significa que a população carioca está dando amor e carinho às vítimas. "É uma demonstração de apoio, para que a gente levante e esqueça esse dia triste".  

Quem também foi dar apoio às famílias e às vítimas feridas no ataque foi Paulo Soares, pai do menino João Roberto, morto em 2008 durante um tiroteio.

"A gente sabe da dor que é perder um filho. Tenho uma ferida aberta, hoje ela sangra menos. Mas só morrendo para esquecer. Você olha para o rosto dos meninos que estavam na escola, jovens e já passando por esse trauma. Espero que eles tenham ajuda psicológica."      

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