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'Não autorizei meus clientes a tocar piano', diz advogado de Bruno

'Não autorizei meus clientes a tocar piano', diz advogado de Bruno

Atualizado: Sexta-feira, 30 Julho de 2010 as 7:35

O advogado Ércio Quaresma, representante do goleiro Bruno de Souza e de outros cinco suspeitos de envolvimento no sumiço de Eliza Samudio, disse que não autorizou a realização de identificação criminal dos seus clientes, no Departamento de Investigações (DI), em Belo Horizonte, na manhã desta quinta-feira (29). Na chegada à delegacia, o delegado Edson Moreira, que preside as investigações, disse que os suspeitos seriam "identificados criminalmente". Eles estão na delegacia há mais de quatro horas e Moreira não quis dar mais detalhes sobre a presença dos suspeitos no DI. No início da tarde, no entanto, a assessoria de imprensa da Polícia Civil voltou atrás e afirmou que os suspeitos estariam apenas preenchendo um formulário de "vida pregressa". Entre as questões que devem responder, segundo a polícia, estão faixa salarial, número de dependentes e doenças crônicas. Esse formulário, ainda de acordo com a assessoria, será anexado ao inquérito para o procedimento de indiciamento formal dos suspeitos.

As fotos deles, assim como suas impressões digitais, já haviam sido colhidas pelo Infopen, o Sistema de Informações Penitenciárias, para identificação prisional.

"Será que a polícia de Minas Gerais tem dúvida de que Bruno seja Bruno? Não permiti e não vou permitir que meus clientes, como se diz no jargão policial, toquem piano para a polícia", disse Quaresma, fazendo referência ao ato de coletar impressões digitais, pintando os dedos com tinta preta e "dedilhando" uma planilha no papel.Após a declaração de Edson Moreira sobre a realização da indentificação criminal, a advogada da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG) que acompanha as investigações, Cíntia Ribeiro de Freitas, compareceu ao departamento.

"Estou repudiando essa atitude da polícia. Os dedinhos deles estão sujos? Isso só poderá ser feito em caso de dúvida da identidade dos suspeitos", afirmou Quaresma.

Notificado de que estaria ocorrendo a identificação criminal dos suspeitos, o conselheiro da OAB Stanley Gusman também foi ao DI para acompanhar o procedimento. "Pela ótica da OAB, isso é ilegal, não é momento oportuno para que os suspeitos façam este procedimento", disse.

Suspeitos

Estão no departamento o goleiro Bruno de Souza, Luiz Henrique Ferreira Romão (conhecido como Macarrão); a mulher do atleta, Dayanne Souza; o primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales; Marcos Aparecido dos Santos, o Bola; além de Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques e Elenilson Vitor da Silva

Bruno, Macarrão, Bola, Flávio, Wemerson e Elenilson estão presos no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem (MG). Já Sérgio Rosa Sales está preso no Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) São Cristóvão, e Dayanne, no Complexo Penitenciário Estêvão Pinto, ambos em Belo Horizonte. Todos negam o crime.

Novo visual

Ainda de acordo com a polícia, Bruno pediu para cortar o cabelo na penitenciária. Ele fez um primeiro corte com máquina com pente 3 (que deixa o cabelo com 10 milímetros de comprimento), mas não ficou satisfeito com o resultado. Em seguida, cortou com o pente 1 (três milímetros), ficando quase careca. Os pedaços de cabelo cortados foram queimados dentro da cela, na frente de Bruno, para não serem usados como provas de exames de DNA, segundo a polícia.

"Se essa atitude foi mesmo feita, só tenho de parabenizar o diretor da penitenciária e agradecer pela lisura no procedimento. Porque, se algum fio de cabelo de meu cliente aparecer em exame laboratorial de qualquer espécie, este terá sido feito da maneira mais execrável possível. Eu pedirei a anulação do exame na mesma hora", afirmou o advogado Quaresma.

Em 2008, Bruno chegou a fazer uma promessa de só cortar o cabelo se o Flamengo fosse campeão brasileiro. O título não veio, mas ele manteve a promessa no ano seguinte. Quando estava com uma cabeleira vasta, desistiu da promessa antes do prazo .  

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