'Não há área intocável', diz nova chefe de Polícia Civil do RJ

'Não há área intocável', diz nova chefe de Polícia Civil do RJ

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:55

“Não há campo em que a Polícia Civil não vá. Não há área intocável. Onde estiver o crime, a Polícia Civil vai estar atuando”, resumiu a nova chefe de Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, em entrevista ao RJTV nesta quarta-feira (16). Ela afirmou que, já no primeiro dia, teve algumas reuniões para determinar a equipe que vai acompanhá-la no cargo.

Ainda sem apresentar os novos nomes, Martha Rocha adiantou que não pretende manter nos cargos os delegados Ronaldo Oliveira, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada, e Rodrigo Oliveira, subchefe operacional. “Ainda não tive oportunidade de conversar com os dois sobre isso. Já fui subordinada aos dois e agradeço seu trabalho. Estou conversando com algumas pessoas e, ao final do dia, se não toda a equipe, já terei nomes para compor as áreas mais importantes nesse momento”, afirmou.

Fechamento da Draco

Questionada sobre o fechamento da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), determinado pelo ex-chefe Allan Turnowski no último domingo (13), Martha Rocha afirmou que vai conversar com o corregedor da instituição para se inteirar sobre o caso. “Vamos colher informações e, diante disso, tomar as decisões”, ponderou.

“O momento é de trabalhar e não, de falar. A Polícia Civil vai trabalhar com resultados, com metas, mas vamos estar preocupados com a questão da lisura. A Polícia Civil recebeu uma chefe de polícia que adora trabalhar e ama esse estado. Estou sendo premiada durante uma trajetória de quase 30 anos e essa premiação não será em vão.”

Filiada a partido político

Filiada ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), a delegada afirmou que entrou em contato nesta quarta com o presidente do partido para se licenciar. “Não tenho pretensão nenhuma a nenhum cargo político porque tenho algo maior a fazer, que é a gestão da segurança pública na Polícia Civil. As pessoas que convivem comigo sabem o quanto é importante pra mim ser delegada de polícia”, disse ela.

Sua nomeação foi oficializada nesta quarta, com a publicação no Diário Oficial, por decreto do governador Sérgio Cabral. O documento traz ainda a exoneração do delegado Allan Turnowski, que ocupava o cargo anteriormente. Em entrevista coletiva na terça-feira (15), ela afirmou que o grande desafio pela frente é lutar pelos bons policiais da instituição. "Acho que a gente tem que ter uma polícia bem treinada, qualificada. Acho que temos que ter sim, uma Corregedoria forte. O bom policial não teme a corregedoria forte. Ele deseja uma corregedoria forte", disse.

Perfil

Martha é a primeira mulher a ocupar o cargo e deixa a direção geral da Divisão de Polícias de Atendimento à Mulher (DPAM). Ela entrou na Polícia Civil em 1983. Ela começou sua carreira policial como única mulher no plantão da 14ª DP (Leblon). Foi delegada titular da 15ª (Gávea), 12ª DP (Copacabana), 18ª (Praça da Bandeira), 20ª DP (Grajaú) e 37ª (Ilha do Governador). Em 1999, ela ocupou o cargo de subchefe de polícia. Ainda segundo a Secretaria de Segurança, Martha Rocha também já atuou como corregedora de polícia.

A delegada foi ainda vice-presidente da Comissão de Organização da Polícia Civil na Rio 92 e implantou a Delegacia de Atendimento ao Turista (DEAT), além de ter sido professora da Academia de Polícia. Enquanto atuou como delegada titular da 15ª DP (Gávea), ela foi a responsável pelas investigações do sequestro ao ônibus 174, em 2000, que terminou com a morte de uma refém e do sequestrador. Na época, ela indiciou o comandante do Bope, que participava da operação.

Saída de Turnowski

Allan Turnowski deixou o cargo no início da tarde de terça-feira (15), dias após a Operação Guilhotina, na qual foram presos 30 policiais militares e civis, acusados de ajudar traficantes, milicianos e contraventores, com informações sobre as operações policiais, negociando material de apreensão e até dando proteção a criminosos.

Entre os presos está o delegado Carlos Oliveira, ex-subchefe de Polícia Civil, na gestão de Turnowski, que, por causa disso, chegou a ser chamado para prestar esclarecimentos na sexta-feira (11) passada.    

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