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'Não passamos apuro nenhum', diz adolescente que se perdeu na Serra

'Não passamos apuro nenhum', diz adolescente que se perdeu na Serra

Atualizado: Quinta-feira, 8 Setembro de 2011 as 3:56

“Não passamos apuro nenhum. A preocupação era com os nossos pais. Estávamos numa boa e eles de cabelo em pé”, contou ao G1 o escoteiro Marco Antônio Ribas Junior que foi resgatado junto com o colega William Augusto Schimidt na noite de quarta-feira (7) no Vale do Itapiroca, no litoral do Paraná.

William e Mraco Antônio durante o resgate dos bombeiros na tarde de quarta-feira (7) (Foto: Divulgação/Bombeiros)

  Os dois estudantes do 3º ano do Ensino Médio, ambos de 17 anos, estavam perdidos desde a segunda-feira (5). O objetivo deles era subir o Pico Paraná e o Morro Siririca. Na tarde de sábado (3), o pai de um deles os levou até um acampamento na fazenda Pico Paraná e por volta das 4h de domingo (4) eles saíram para a trilha.

"No domingo nós escalamos três cumes: Getúlio, Itapiroca e Cerro Verde. Estávamos muito cansados e resolvemos não arriscar. Acampamos e resolvermos continuar no outro dia. (...) De cima do Cerro Verde vimos a BR e pensamos que de lá podíamos ligar para os nossos pais. Então, na segunda-feira decidimos contornar um riacho. O problema é que a mata era muito fechada e a cada dois minutos caminhavámos uns cinco metros", explicou Marco Antônio.     O combinado era que um dos pais dos adolescentes iria buscá-los na segunda-feira, mas como eles demoraram mais do que previam e não tinham sinal para o telefone celular, ficaram preocupados com os pais.

"Na terça-feira (6) subimos até um cume e conseguimos sinal para o celular. Falamos com os nossos pais e eles nos colocaram em contato com os bombeiros. A orientação que os bombeiros nos deram era para parar e não sair do lugar", contou o escoteiro.     Segundo Marco Antônio, cada um deles levou uma mochila de 20 kg com equipamentos e suprimentos. "Não passamos frio, nem fome. Choveu, mas levamos uma lona bem grande e não teve problema". Os dois garotos participam de um grupo de escoteiros de Curitiba há seis anos e já haviam escalados outros morros e montanhas.

Da tarde de terça (6) até a quarta-feira (7), os adolescentes ficaram esperando pela equipe de resgate. "Fiz fumaça e eles conseguiram ver lá de cima. Depois, começamos a ouvir os apitos dos bombeiros, as vezes confundia com o barulho dos pássaros, mas depois deu pra diferenciar", lembrou Marco. "Como o William estava com muita cãimbra. Eu desci sozinho para encontrar a equipe de resgate. Fui fazendo setas em pedras, caso eles passassem por ali, entendessem o sinal. Eles mataram a charada".

Por volta das 16h de quarta (7), os bombeiros encontraram os dois escoteiros. Depois de comerem pizza e William tomar uma vitamina para melhorar da cãimbra, eles fizeram o caminho de volta acompanhados de dois bombeiros do Grupo de Operações de Socorro Tático (Gost).

Marco Antônio e William ficaram três dias na mata 

(Foto: Sérgio Tavares/G1)

  As famílias aguardavam os adolescentes em uma fazenda, e o reencontro foi entre às 21h30 e 22h. Sobre a experiência, Marco Antônio relatou que é necessário ter mais responsabilidade. "Ficou que tem que ter mais responsabilidade, que tem que pensar muito mais. Se tem algum acampamento em vista. Se tivesse calculado melhor, não tentassemos acelerar, podia ter dado certo".

Ele ainda pretende voltar e completar a trilha entre o Pico Paraná e o Morro Siririca. "Eu gostaria de voltar ano que vem”, concluiu.          

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