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'Não sei se vou superar o medo', diz aluna após explosão de mochila

'Não sei se vou superar o medo', diz aluna após explosão de mochila

Atualizado: Quarta-feira, 18 Maio de 2011 as 4:13

A estudante de 14 anos de Santos, no litoral de São Paulo, cuja mochila explodiu na Escola Municipal Dom Pedro II na segunda-feira (18), disse que está com medo de voltar a estudar. Uma colega da menina colocou uma pequena bomba na sua mochila durante o intervalo entre as aulas. “Não sei se vou superar o medo de ir para a escola, mesmo que seja outra. E se tentarem fazer isso comigo novamente?”, questionou.

Segundo a mãe da jovem, Nanci Vieira, a filha não voltou à escola desde a segunda-feira, dia do incidente. “Estamos tentando conseguir uma vaga em outro lugar, pois ela está com medo”, disse. Segundo Nanci, a decisão também partiu dela e do marido. “A menina que fez isso continua lá [na escola]. Mudaram ela de período, mas para mim não adianta nada, pois o problema continua, só que em horário diferente.”

  Provocação

Segundo a estudante, a aluna que colocou o explosivo em sua mochila já a estava provocando antes do incidente. “Ela estava jogando coisa em mim, bolinha de papel”, contou. Ela também disse que um estojo de maquiagem da aluna tinha sumido naquele dia, e que ela ameaçou “explodir a escola” caso ele não aparecesse. Para a estudante, a colega colocou a bomba em sua mochila durante o intervalo entre as aulas. Ela contou que outro colega que foi lhe avisar que sua mochila tinha explodido dentro da sala.

Nanci disse que a filha já reclamava da colega há algum tempo. “Ela sempre comentou que a menina era difícil, que se mantinha como uma ‘chefe de gangue’ na sala. Os professores também sempre reclamaram”, comentou. Em nota, a Secretaria de Ensino (Seduc) de Santos afirmou que a aluna que colocou a bomba na mochila foi transferida de classe e de período. O órgão confirmou que a estudante tem histórico de mau comportamento e já recebe orientação pedagógica.

Segundo a escola, o caso e as denúncias de roubo já estão sendo investigadas (Foto: Reprodução/TV Globo)

  Problemas na escola

Segundo Nanci, a filha já queria sair da escola mesmo antes do incidente. “Ela comentava que lá é muito desorganizado e que as coisas costumam sumir, mesmo quando estão dentro das mochilas”, disse. A estudante ia sair da instituição apenas no final do ano, mas a decisão foi antecipada pela família por causa da explosão da bomba.

A estudante reclamou que seu estudo foi afetado pelo ambiente da escola. “Não tenho mais vontade de estudar por causa da brigas, dos roubos, fico desanimada. A escola deveria ser um lugar de estudar, não de acontecer coisas do tipo. A gente perde a confiança.” Segundo ela, seus outros colegas de sala também estão com medo. Para a jovem, a maioria ainda não saiu por causa da dificuldade de encontrar vaga em outra escola. “É difícil, tinha que ter vaga para todo mundo. Mas vou conseguir encontrar uma para mim, estamos procurando e tentando”, disse.

Investigações

A Seduc esclareceu que não tem como checar o que os alunos levam dentro das mochilas para as escolas e pediu a colaboração dos pais. Quanto às denúncias de furto e consumo de drogas dentro da instituição, a escola informou que vai tomar as providências cabíveis e checar os fatos.

A Delegacia da Infância e da Juventude de Santos investiga o caso. A mochila foi encaminhada ao Instituto de Criminalística para análise.        

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