MENU

Índios protestam em defesa da manutenção contínua da Raposa Serra do Sol

Índios protestam em defesa da manutenção contínua da Raposa Serra do Sol

Atualizado: Quarta-feira, 10 Dezembro de 2008 as 12

Índios protestam em defesa da manutenção contínua da Raposa Serra do Sol

Cerca de 50 indígenas moradores da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR) participaram nesta terça-feira, dia 9 de dezembro, de uma manifestação em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), que retoma hoje, dia 10 de dezembro, o julgamento sobre a constitucionalidade da demarcação contínua da reserva, com área de 1,7 milhão de hectares.

Com faixas e ao som de cantos típicos da etnias que vivem na reserva, o grupo pediu a manutenção da demarcação contínua da Raposa e a retirada dos não-índios que ocupam a área com grandes plantações de arroz.

O tuxaua (cacique) Pedro Raposo está confiante e acredita que os ministros do STF seguirão o voto do relator, ministro Carlos Ayres Britto, que, durante a primeira parte do julgamento, em agosto, votou pela manutenção da demarcação contínua da terra indígena. O julgamento foi suspenso pelo pedido de vista do ministro Carlos Alberto Menezes Direito.

"Vamos aguardar com esperança que o Supremo decida pela manutenção da reserva, pelo nosso direito constitucional. Esperamos sair vitoriosos. O mais importante dessa questão é a manutenção da nossa cultura, do nosso modo de viver, do conhecimento tradicionais e cultural, da resistência que o povo indígena tem", apontou.

Amanhã, parte do grupo pretende acompanhar o julgamento de dentro do plenário do STF, mas a maioria deve permanecer do lado de fora do tribunal. "Vamos receber apoio de etnias indígenas de outros estados do país, estão vindo para cá para a mobilização", adiantou o cacique Dejacir Melquior.

O líder indígena afirmou que a área da reserva é uma "terra sagrada" para os povos indígenas e que a demarcação contínua da reserva respeita direitos previstos na Constituição a esses povos. "É preciso tirar de lá os fazendeiros, grileiros, os garimpeiros. Eles dizem que sustentam a economia do estado, mas isso não é verdade. Nós também trabalhamos, temos criação de gado, plantamos milho, mandioca", argumentou Melquior.

veja também