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Nem todo especialista acha que jogos incentivam a violência

Nem todo especialista acha que jogos incentivam a violência

Atualizado: Segunda-feira, 13 Outubro de 2008 as 12

Os efeitos dos jogos eletrônicos para crianças e adolescentes dividem especialistas. Alguns consideram o conteúdo absurdo e impróprio para menores, mas uma corrente muito forte de psicólogos não reconhece os efeitos nocivos e até aponta alguns benefícios. Um deles é o psicólogo Sérgio Augusto Germano Patto, especialista no atendimento de adolescentes e pré-adolescentes, para quem os jogos com conteúdos violentos não ajudam a formar uma personalidade violenta.

O GTA e o Bully são os jogos preferidos dos adolescentes. No GTA, para sobreviver em uma cidade grande, o jogador tem que praticar vários crimes. Já no Bully, que não foi distribuído no Brasil, mas que pode ser baixado gratuitamente pela internet ou comprado no mercado paralelo, a violência é levada para o ambiente escolar.

"Sou da turma que não vê problemas no fato de crianças e adolescentes gostarem de jogos violentos. Conheço os dois jogos [Bully e GTA] e todos os outros que os adolescentes costumam jogar. Tenho esses jogos em casa. São jogos que têm um conteúdo fantasioso e dão à criança a visão de que aquelas regras não se aplicam à sociedade. Muitas vezes, o pai ou a mãe não percebe o grau de fantasia, mas ele está presente e não permite que o jogo seja confundido com a vida. A criança percebe isso facilmente", explicou Sérgio Augusto.

Patto é especialista em psicodrama e em psicologia familiar sistêmica. No consultório, ele atende adolescentes individualmente e trabalha também com a formação de grupos. Para ele, os jogos violentos podem causar algum efeito nocivo caso o adolescente já apresente alguma patologia. "Um jovem com transtorno psicótico, por exemplo, ao ter contato com um jogo dessa natureza, poderá sim se influenciar. Do contrário, o que vai prevalecer é a noção de que é só um jogo, não vale para a vida real", explicou.

Entre os elementos fantasiosos que garantem que a criança tenha a noção de se tratar mesmo "apenas de um jogo", Sérgio Augusto aponta a imortalidade. "Tanto o Bully quanto o GTA trabalham com a imortalidade. Às vezes, a personagem leva cinco ou seis tiros e continua viva. Para fugir da polícia, a personagem pinta o carro. Ora, na nossa vida, lidamos a todo o momento com a mortalidade, não com a imortalidade. A criança sabe que não pode dirigir, que não pode sair sozinha, e jogo permite tudo isso", destacou. "É importante os pais estarem cientes disso para não entrarem em pânico."

Outro elemento importante apontado por Patto é a oportunidade de extravasar emoções contidas. "Há adolescentes que fazem no jogo aquilo que não podem fazer na escola. Se estiverem bravos com um professor, no jogo, matam a escola inteira. Mas, na vida real, continuam respeitando. E há aqueles que nunca tiveram contato com esse tipo de jogo e acabam ameaçando professores dentro da escola", exemplificou.

"Além disso, as personagens não têm conotação de heróis. São anti-heróis. Quem joga sabe que está no papel de bandido. Além disso, o GTA IV, lançado há pouco tempo, traz a opção de escolher o que fazer. Se o jogador fica fazendo muita maldade, o final é bem pior. O jogo dá a opção de matar ou salvar, e isso vai ter conseqüência em outra fase do jogo. Às vezes, quem o jogador salvou poderá ajudá-lo lá na frente", destacou o psicólogo.

Postado por: Claudia Moraes

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