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Nenhum dos 72 presos na USP reclamou de agressão, diz delegada

Nenhum dos 72 presos na USP reclamou de agressão, diz delegada

Atualizado: Quarta-feira, 9 Novembro de 2011 as 4:24

Reintegração de posse em prédio da reitoria da

USP (Foto: Reprodução/TV Globo) Apesar de os alunos, seus pais e advogados denunciarem à imprensa que os estudantes foram vítimas de uma ação truculenta da Polícia Militar durante a reintegração de posse do prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) nesta terça-feira (8), nenhum dos 72 presos pela Tropa de Choque sob a suspeita de dano ao patrimônio público e descumprimento de ordem judicial reclamou de qualquer agressão ou ferimento à Polícia Civil.

De acordo com a delegada Maria Letícia Camargo, assistente da central de flagrantes Oeste, onde o caso foi registrado e será investigado, todos os manifestantes detidos e liberados na madrugada desta quarta-feira (9), após pagamento de fiança, se reservaram ao direito de permanecerem calados quando interrogados durante seus depoimentos e só falarem em juízo. Advogados estiveram presentes no momento em que eles eram indiciados pelos dois crimes.

“Oficialmente, somente uma policial militar ficou ferida durante a ação policial. Não foi agressão. Ela se feriu na ação. Machucou o braço e passou por exame de corpo de delito no IML [Instituto Médico Legal] para constatar a lesão”, disse a delegada Maria Letícia.

Enquanto os estudantes eram levados dos três ônibus da PM para a delegacia, era possível ver ferimentos em alguns. Ao deixar a delegacia, Michel de Castro, de 25 anos, falou com a imprensa. “Fui ajudar os companheiros do lado de fora e um policial do Choque me empurrou e deu uma ‘escudada’”, disse o jovem, mostrando um corte em seu supercílio.

Procurada, a PM nega ter cometido qualquer abuso durante a operação de reintegração.

Todos os alunos detidos também foram submetidos a exame de corpo de delito que poderá comprovar se eles sofreram alguma agressão. O resultado será divulgado pelo IML num prazo de até 30 dias. A polícia também aguarda o laudo dos peritos do Instituto de Criminalística (IC) a respeito dos danos causados na reitoria.

Em resposta aos defensores dos estudantes presos, de que a polícia não conseguiu individualizar a responsabilidade pelos danos causados, a delegada afirmou que foram requisitadas imagens gravadas por câmeras de segurança da USP e da PM para identificar os alunos suspeitos da depredação. O movimento estudantil nega os prejuízos causados na reitoria. Lideranças estudantis acusam a própria PM pela depredação para culpar os alunos.

“O objeto de se requisitar as imagens é o de apontar quem fez o que, individualizar a conduta de quem foi filmado”, disse Maria Letícia, que no boletim de ocorrência escreveu que todos os alunos “contribuíram para o resultado” do dano.

A delegada afirmou que pretende relatar o inquérito sobre o caso da invasão da USP nesta quinta-feira (10). “Até sexta-feira [11] o documento deverá seguir para o Fórum de Santana, onde será distribuído para um promotor e juiz”, disse Maria Letícia.

Diferentemente do que outros policiais haviam anunciado à imprensa, os estudantes não serão responsabilizados por crime ambiental e nem serão investigados por formação de quadrilha ou bando. A respeito dos coquetéis molotov encontrados pela PM dentro da reitoria e entregues à investigação como parte do arsenal que seria utilizado pelos alunos, os estudantes disseram que eles foram “plantados” pelos próprios policiais para incriminá-los.

Durante a ocorrência que era registrada na Central de Flagrantes, a mãe de um estudante preso também foi detida sob a acusação de desacato à autoridade porque teria xingado um policial militar. Ela foi levada para o 91º Distrito Policial, Ceasa, que fica anexo à central, assinou um termo circunstanciado, documento que indica que houve um delito de menor potencial ofensivo, e foi liberada.

Reintegração

O estopim para a ocupação de 12 dias na USP começou no dia 27 de outubro, quando a PM, em um patrulhamento pelo campus da Cidade Universitária, deteve três alunos com maconha. Houve protesto e, no mesmo dia, os universitários ocuparam a sede administrativa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

No dia 1 de novembro, em assembleia, os estudantes decidiram desocupar o prédio da FFLCH, mas um grupo dissidente também fez uma votação e resolveu invadir o prédio da reitoria.

No dia 3, a Justiça autorizou a reintegração de posse do prédio da reitoria e deu 24 horas para os alunos saírem do local. Caso não cumprissem a ordem, a juíza que concedeu a liminar em favor da USP autorizou, "como medida extrema”, o uso de força policial.

Representantes da reitoria, dos alunos e do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) se reuniram para tentar chegar a um acordo, mas não houve avanços.

As principais reivindicações dos estudantes são a saída da PM do campus - o que implica acabar com o convênio firmado em setembro entre a corporação e a instituição para aumentar a segurança na Cidade Universitária -, e a revisão de processos administrativos e criminais abertos pela USP contra alunos e servidores.

Uma reunião com estudantes e representantes da universidade estabeleceu no dia 5 um prazo final para que os alunos deixassem a reitoria: 23h de segunda-feira (7). Na madrugada do dia 8, por volta de 5h, a PM cumpriu a reintegração de posse do prédio, em uma operação que contou com a Tropa de Choque e teve cerca de 70 jovens detidos – 63 deles estavam dentro do prédio quando os policiais entraram. Eles foram levados de ônibus para uma delegacia e liberados após o pagamento de fiança no valor total de R$ 39.240.

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