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Ônibus voltam a circular após protesto na Zona Sul de SP

Ônibus voltam a circular após protesto na Zona Sul de SP

Atualizado: Terça-feira, 26 Outubro de 2010 as 12:55

Os ônibus de duas empresas que paralisaram as atividades na manhã desta terça-feira (26) circulavam normalmente no início da tarde na Zona Sul de São Paulo. Duzentas mil pessoas começaram o dia sem ônibus na região. À meia-noite, funcionários das empresas Vip M’Boi Mirim e Vip Guarapiranga pararam. O protesto foi por causa da morte do motorista e sindicalista Sérgio Augusto Ramos, assassinado com seis tiros nesta segunda-feira (25) na frente da garagem onde trabalhava.

Ele tinha feito denúncias de desvio de dinheiro na diretoria do sindicato e registrou, num vídeo e na polícia, que estava sofrendo ameaças. Sérgio estava no sindicato desde 2002. Muitos colegas nem sabiam que ele dizia haver corrupção na diretoria do sindicato. Mas o sindicalista tinha registrado queixas de ameaça na polícia em duas ocasiões.   Os promotores estão há dois anos investigando supostos desvios de dinheiro no Sindicato dos Motoristas e Cobradores da capital, mas ainda não chegaram a nenhuma conclusão. Sérgio estava distribuindo panfletos, na frente da garagem da Vip M'Boi Mirim, na manhã de segunda-feira, quando foi atingido por seis tiros. Ele foi enterrado no final da manhã no Cemitério Parque das Cerejeiras, na Zona Sul. No enterro, estiveram presentes parentes, muitos colegas de trabalho e amigos.

O presidente do sindicato vai falar nesta tarde sobre a morte de Sérgio e das acusações de corrupção. A polícia não quis divulgar detalhes da investigação. E o Ministério Público disse que, além de Sérgio Augusto Ramos, outras testemunhas fizeram denúncias de desvios no sindicato.   Pontos lotados

O ponto na altura do número 1.000 da Estrada do M’Boi Mirim estava lotado de pessoas nesta manhã que se alternavam entre os dois lados da via – que opera com as faixas exclusivas de ônibus apenas no sentido Centro durante a manh㠖 para tentar entrar em um coletivo. Os poucos que passavam – colocados nas ruas pela São Paulo Transportes (SPTrans) por meio da Operação Paese – já estavam lotados, dificultando o embarque. O trânsito na via também era bastante complicado, atrasando ainda mais o trajeto dos passageiros.

Com um semblante de cansaço, a auxiliar de serviços gerais Jucilene de Souza, 40 anos, chegou às 6h20 ao ponto e às 8h ainda não havia conseguido embarcar – normalmente, a espera dura no máximo 20 minutos. Para chegar ao local ela ainda teve que caminhar 45 minutos desde sua casa, trajeto feito usualmente em outro coletivo. “Tinha que chegar às 8h na Estação da Luz. Já liguei para avisar no trabalho que não sei que horas chego.”

Ela disse ter ouvido comentários sobre o motivo da paralisação. “Mas fica ruim para a gente, atrasa a vida da gente. Já demoro normalmente duas horas para chegar ao trabalho e hoje se eu chegar às 9h vai ser um milagre”, contou.

Outra que aguardava no mesmo ponto era a atendente de telemarketing Julinda Gonçalves da Silva, de 24 anos, que ainda está em período de treinamento na empresa em que trabalha. “Não tenho o número de ninguém lá, não consegui avisar. Quando chegar lá, converso, eles têm que entender”, disse ela, que não sabia do protesto antes de chegar ao ponto.

“Só sabia que tinham matado o sindicalista. Quando vi o ponto lotado, liguei as duas coisas. Apesar de nos prejudicar, acho que é válido”, disse ela, pouco antes de mais um ônibus com lotação máxima passar no local. “Quem é que entra? Só se subir no capô”, afirmou.    

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