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Única jovem brasileira que participou de Davos sonha em ser diplomata

Única jovem brasileira que participou de Davos sonha em ser diplomata

Atualizado: Sexta-feira, 4 Fevereiro de 2011 as 8:38

Com um belo sorriso e uma flor presa no cabelo, a simpática Raquel Helen Santos Silva, de 19 anos, falou da experiência de ter sido a única brasileira a participar da 40ª edição do Fórum Econômico Mundial em Davos, realizado de 26 a 30 de janeiro, na Suíça. Raquel faz parte do programa Global Changemakers do British Council. A adolescente mora no bairro Santa Efigênia, Região Leste de Belo Horizonte.

“Oi, boa tarde. Desculpa pelo atraso”, justificou Raquel, por conta de apenas dois minutinhos. E emendou: “Estou ficando famosa com esse tanto de entrevista”. Imediatamente disse que era brincadeira, e sorriu.

Raquel foi a única brasileira escolhida em meio a 1,5 mil pessoas para participar do fórum. Delas, 60 foram pré-selecionadas e embarcaram para Londres. De lá, 18 sortudos saíram vencedores para irem à Suíça.

Para concorrer à ida para Davos, Raquel apresentou na Inglaterra um projeto que tem como iniciativa promover a igualdade de gênero por meio do engajamento juvenil. Temas como gravidez na adolescência, diferença salarial entre homens e mulheres, grande índice de analfabetismo feminino, violência doméstica e sociedade machista foram alguns dos assuntos abordados pela jovem. Depois de selecionada, Raquel levou todos esses assuntos a Davos.

Durante a realização do fórum, Raquel alimentou o blog do renomado jornal norte-americano Washington Post com assuntos relacionados ao encontro. “Também dei entrevistas a duas redes de televisão, uma espanhola e outra alemã”.

Não bastasse a exposição na mídia, Raquel disse que ainda teve a oportunidade de ver muitas pessoas importantes como o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton; o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev; o ex-primeiro-ministro da Grã-Bretanha Tony Blair; o presidente francês, Nicolas Sarkozy; e o ex-secretário geral das Nações Unidas Koff Annan.   História de vida

Raquel ficou órfã de mãe quando tinha apenas um ano de idade. Três anos mais tarde perdeu o pai. Ela e a única irmã, Nathália, de 23 anos, foram criadas pelas três tias e a avó materna, que atualmente tem 83 anos.

“Sou menina, negra e de classe média, mas isso não quer dizer que não posso vencer. O começo da vida não pode determinar o final”, disse, referindo-se aos projetos que tem para o futuro. O prioritário, segundo ela, é ser diplomata.

Ambiciosa, no melhor sentido da palavra, a adolescente pensa alto. “Quero chegar ao pós-doutorado”. Como diplomata, ela quer ser porta-voz do povo brasileiro e pretende trabalhar em prol da educação. Viajar pelo mundo, no exercício da profissão, para ela, é uma troca de experiência.

Antes de se tornar PhD, Raquel se dedica com afinco aos dois cursos superiores que faz em Belo Horizonte: Relações Internacionais, na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), e Ciências do Estado, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em ambos, ela está no 3º período.   Cedo

Desde criança, Raquel já se preocupava com as questões sociais. Aos dez anos começou como voluntária no grupo de dança “Canto e Arte”, da Igreja do Evangelho Quadrangular do Santa Efigênia, onde frequenta. De acordo com ela, 25 pessoas – entre homens e mulheres entre oito e 40 anos – dançam balé e hip hop. “Pela dança, a gente leva esperança, alegria e a Palavra de Deus”.

Para arrecadar dinheiro para a igreja, ela ainda trabalha em atividades como reciclagem de materiais, bingos, festivais de sorvete e rifas. “Ainda fazemos visitas a orfanatos”, exemplificou.

Conquistas

Em 2008, Raquel recebeu o título de “Jovem Embaixadora” e, desde então, não parou mais. Naquele ano, permaneceu durante seis semanas em Londres, onde fez cursos de inglês, dança e cerâmica.

Na mesma cidade, em 2009, participou da conferência “Darwin e a Ciência de Hoje”. Por uma semana, ela e mais uma brasileira, de São Paulo, estiveram no evento.

Em 2010, em Boston, nos Estados Unidos, esteve no “Women to Women”. Desta vez, a mineirinha foi a única brasileira que discutiu acerca dos assuntos femininos. Três meses mais tarde, novamente em Londres, fez parte do “Global youth Summit”.

Antenada

Como uma jovem da geração dela, Raquel mantém contato com dezenas de amigos em várias partes do mundo. Como aliada, ela não dispensa a tecnologia. Facebook, Twitter e Orkut são as ferramentas mais usadas pela adolescente.

E as amizades internacionais têm rendido muitos bate-papos. Ela disse que entra na rede de madrugada, por exemplo, e conversa com amigos que moram em países com fuso horário totalmente diferente do Brasil.

Ainda de acordo com ela, a convivência com amigos estrangeiros também tem rendido histórias diferentes. Ela aprendeu a falar “borboleta” em 20 idiomas, entre eles, russo, polonês, dinamarquês, árabe e hebraico.

Questionada sobre a escolha da palavra, ela filosofou: “A vida dela [da borboleta] para mim é quase uma metáfora. Ela fica dentro de um casulo, feia, e depois sai bonita, e voa. E esse processo não pode ser antecipado porque ela só deixa o casulo quando está pronta para voar”.

Em julho deste ano, Raquel disse que apresentará, em Belo Horizonte - sede da Região Sudeste do Brasil de mais um fórum social -, os planos de ações que foram apresentados em Davos. Nesta empreitada, ela precisará de apoio financeiro e institucional.    

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