MENU

'Ninguém deve pedir licença para deixar de ser pobre', diz Lula

'Ninguém deve pedir licença para deixar de ser pobre', diz Lula

Atualizado: Segunda-feira, 22 Novembro de 2010 as 10:01

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (19) que nenhum país deve "pedir licença para deixar de ser pobre". Lula esteve no Rio de Janeiro, onde foi agraciado com o prêmio Personalidade França/Brasil, oferecido pelo Câmara de Comércio Casa França/Brasil.

"O mundo hoje se debate em recessão e crise. Reverter esse desperdício de vidas e de energia talvez seja mais urgente e mais oportuno. O que está em jogo é uma convergência de interesses que a lógica não consegue reverter. Ninguém deve pedir licença para deixar de ser pobre. A duras penas, o mundo aprendeu nos últimos anos quais são suas lições", disse Lula.

As homenagens ao presidente Lula contaram com uma mensagem do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que foi exibida em um telão, e a quem Lula fez um agradecimento especial. Sarkozy elogiou a relação comercial entre os dois países e disse que Brasil e França são parceiros "privilegiados" para fazer reformar arrojadas e barrar a especulação financeira.

Sarkozy disse ainda que há mais de 500 empresas francesas instaladas no Brasil, o que significa uma geração de mais de 400 mil empregos. Ele terminou sua fala dizendo " que o mundo precisa da visão e audácia de Lula". Sarkozy, na mensagem, ainda fez uma brincadeira com Lula, dizendo que o presidente indicou uma mulher para a Presidência para "não ter concorrência ao título de homem do ano". Ele ainda disse que Lula é uma fonte de "inspiração e sabedoria".

"Eu não sei se eu mereço metade dos elogios que eu recebi", disse o presidente Lula.

Em seu discurso, feito de improviso, Lula ressaltou ainda a cooperação existente entre França e Brasil na área de defesa. O presidente destacou ainda cooperações nas áreas de transporte, meio ambiente, tecnologia, saúde, agricultura, e disse que o Brasil está aberto a novas parcerias. "Nosso país dispõe de trunfos para ampliar a presença no mercado europeu", disse o presidente.

O presidente voltou a defender a participação do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. Lula disse que conta com o apoio do atual e do ex-presidente francês Jacques Chirac, para que o Brasil assuma esse posto. O presidente também reclamou do que ele chamou de "guerra cambial" que está sendo feita pelos Estados Unidos na tentativa de equilibrar sua economia.

"Nós não temos de pedir licença a ninguém. E nós não nascemos só para bater palmas. A segunda coisa é que nas relações internacionais existe país que se respeita e que não se respeita. Nós aprendemos que não queremos participar de reuniões apenas para dizer amém. [...] Por isso não podemos concordar com a guerra cambial que os Estados Unidos estão fazendo para resolver seu problema sem se importar com outros países que dependem do dólar", disse o presidente.

Por: Tássia Thum

veja também