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No 1º de Maio, inflação é protagonista do embate entre PT e PSDB

No 1º de Maio, inflação é protagonista do embate entre PT e PSDB

Atualizado: Segunda-feira, 2 Maio de 2011 as 9:55

As comemorações do 1.º de Maio organizadas em São Paulo por centrais sindicais foram palco do embate entre governo e oposição sobre o retorno da inflação. A pressão inflacionária, que preocupa o governo, foi alvo de resolução política do Diretório Nacional do PT, divulgada anteontem, e também abordada em artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicado no Estado ontem, em que o tucano acusa o governo petista de agir com "tibieza no controle da inflação, que pode cortar as aspirações de consumo das classes emergentes".

Presente no evento organizado pela Força Sindical e outras quatro centrais (UGT, CGTB, Nova Central e CTB), o senador Aécio Neves (PSDB-MG) - potencial candidato à Presidência em 2014 - colocou-se como porta-voz das bandeiras de oposição ao fazer um discurso inflamado em que criticou a "omissão" do governo em relação ao retorno da inflação. "A primeira vítima da inflação é a classe trabalhadora brasileira", disse o tucano.

  "Venho aqui como companheiro da oposição para dizer que vamos estar firmes denunciando a omissão do governo em relação ao retorno da inflação, que penaliza principalmente os trabalhadores", continuou.

A resposta do governo veio em uma mensagem da presidente Dilma Rousseff, lida pelo ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência. "Não permitirei sob nenhuma hipótese que a inflação volte a corroer o poder aquisitivo dos trabalhadores", dizia a mensagem da presidente. Dilma, que está com pneumonia (veja pág. A 6), não compareceu ao evento.

Segundo o ministro, "a presidente já tomou medidas cautelosas contra o aumento de preços para não levar o País à recessão, que gera desemprego".

Carvalho disse que o período de aceleração acentuada da inflação foi sazonal, provocada pela alta dos preços agrícolas. E acrescentou: "Não há, dentro do governo, qualquer problema em relação à política econômica."

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), enfatizou que o emprego formal gera distribuição de renda e que o governo vai combinar a criação de novas vagas com o controle da inflação.

Na festa da CUT, no Vale do Anhangabaú, Gilberto Carvalho leu a mesma mensagem de Dilma e disse que a presidente preza o diálogo com as centrais e a "valorização permanente do mínimo". "E (Dilma) assume o compromisso com a política que resultou na criação de 15 milhões de empregos".

Em ataques diretos ao PT, Aécio Neves ressuscitou um dos maiores capitais políticos do PSDB, o Plano Real, lembrando que os petistas se colocaram contra o plano de controle da inflação. Para o senador, em oito anos o governo do ex-presidente Lula não tomou nenhuma medida profunda em favor do desenvolvimento do Brasil. "Foi um governo omisso. Infelizmente, a presidente Dilma mostra que vai no mesmo caminho", afirmou.

Vaias e aplausos. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que chegou ao evento ao lado de Aécio, foi vaiado ao iniciar seu discurso. Segundo a Polícia Militar, havia mais de um milhão de pessoas no local. Alckmin minimizou o episódio. "Foi coisa organizada, de pouca gente", disse, ressaltando ter recebido uma "recepção calorosa dos trabalhadores", Ao final do discurso, ele foi aplaudido.

Irônico, Aécio Neves comentou ainda os planos da União de ceder aeroportos à iniciativa privada: "Quero dizer aos petistas de todo o Brasil: apertem os cintos e sejam muito bem-vindos ao maravilhoso mundo das privatizações".

Reação petista. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou que o PSDB ficará com a "brocha na mão" se apostar que a economia do País caminhará para uma crise inflacionária. A orientação do governo, afirmou, é reconduzir o índice de inflação para o centro da meta (de 4,5%) em dois anos e não em 12 meses, mas sem dar um freio na economia.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), disse, em nota, que nos próximos dias vai "discutir ponto a ponto" a resolução do diretório do PT. Na resolução política, os petistas dizem que "a desvalorização do dólar reavivou o debate sobre a política econômica e os riscos - mais propagandísticos que reais - de uma escalada inflacionária". E continua: "No que tange ao controle da inflação, o governo tem adotado uma política de combinar a variação da taxa de juros com a adoção das chamadas medidas macroprudenciais".  

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