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No Ceará, cigarro mata mais que acidentes de trânsito

No Ceará, cigarro mata mais que acidentes de trânsito

Atualizado: Quarta-feira, 26 Agosto de 2009 as 12

No Ceará, as mortes e internações por doenças pulmonares cresceram nos últimos anos. De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), de 2007 para 2008 houve um acréscimo de 7,10% no número de óbitos.

No ano passado, por exemplo, 1.523 pessoas morreram em conseqüência do tabaco. Destas, 697 por câncer de pulmão e 826 por doenças pulmonares obstrutivas crônicas, como enfisema pulmonar entre outras complicações respiratórias. Em 2007, pelo menos 683 pessoas morreram vítimas de câncer de pulmão e 739 de doenças pulmonares obstrutivas crônicas, totalizando 1.422 óbitos.

Os números chegam a ultrapassar os registros de mortes por acidentes de trânsito no Estado que, de acordo com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), é, em média, de 1.444 ao ano.

Campanha

O Ministério da Saúde, que lançou a campanha nacional ''quem não fuma, não é obrigado a fumar'', informa que o cigarro diariamente mata sete fumantes passivos (pessoas que não fumam mas convivem com fumantes e são obrigadas a inalar a fumaça) no Brasil.

No Ceará, o número de internações de pacientes com problemas pulmonares de 1999 a 2008 pulou de 2.268 para 3.524. Os especialistas observam que nem todos os doentes e óbitos foram registrados com fumantes. Em muitos casos, os pacientes e vítimas apenas conviviam com fumantes dentro de casa, no trabalho ou em outros ambientes.

O assunto foi debatido no II Fórum Ambientes 100% Livres de Tabaco, que reuniu especialistas de todo o país. Eles defendem que, para reverter esse quadro, é preciso acabar com os fumódromos.

De acordo com o psicólogo Gabriel Seffair, vice presidente do Comitê Coordenador de Contato com Tabaco no Brasil, 12% da população cearense são fumantes. O médico alerta que o uso do cigarro é a maior causa de morte evitável no mundo. Anualmente são cinco milhões de mortes. No Brasil, esse número chega a 200 mil.

Para Gabriel Seffair, o poder de dependência da nicotina é comparável ao da cocaína e heroína. ''Uma pessoa que fuma 20 cigarros por dia leva 200 picos de nicotina diretamente ao cérebro, pois cada tragada é equivalente a um pico de nicotina'', ressalta. Para o psicólogo, não existe nada no mundo que mate mais que o cigarro.

Já assessora técnica da Coordenadoria de Políticas da Saúde no Ceará, Sandra Solange, entende que é preciso que o dependente de nicotina faça um tratamento sério para se livrar do tabaco. ''O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito'', garante.

Em Fortaleza, ressalta, várias unidades tratam do problema, como o Hospital do Coração, em Messejana, 18 unidades básicas de saúde e seis Centro de Atenção Psicossocial (Caps AD).

Além de ajudar o dependente em tabaco, especialistas estão preocupados em evitar que adolescentes e jovens ingressem no vício. Eles defendem que o Ministério da Saúde realize campanhas educativas.

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