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No Dia das Mães, mulher reencontra família após um ano perdida

No Dia das Mães, mulher reencontra família após um ano perdida

Atualizado: Segunda-feira, 9 Maio de 2011 as 9:13

    O café da manhã em um bar no Dia das Mães, no domingo (9), levou Yara Rodriguez Calda, 53, a viver uma história diferente. Ela conseguiu fazer com que uma mulher que possui deficiências mentais reencontrasse sua família depois de um ano perdida, vagando pelas ruas de São Paulo.

Yara conta que ela e o filho estavam em uma mesa quando a mulher de 27 anos apareceu pedindo um refrigerante. A senhora de 53 anos, que já trabalhou como enfermeira, percebeu que a moça sofria de alguma deficiência mental. Depois de muita conversa, conseguiu fazer com que a jovem escrevesse seu nome e o do pai em um papel.

Como morava perto do bar, Yara foi até a sua casa e conseguiu falar no serviço de pessoas desaparecidas. Ela descobriu que a mulher constava da lista de pessoas desaparecidas e que sua irmã já tinha feito boletim de ocorrência para tentar localizá-la.

Domingo é um dia em que o atendimento é restrito. Mesmo assim, ela confirmou a identidade da jovem, soube que ela era de Guarulhos, na Grande São Paulo, e descobriu que ela fazia parte da lista de desaparecidos desde julho de 2010. Apesar de insistir, a ex-enfermeira não conseguiu com que o serviço público fosse buscá-la em sua casa.

- Me disseram para deixá-la na minha casa. Mas o que eu ia fazer? Como ia abrigar uma desconhecida?

Sem poder dirigir - ela já foi motorista de ambulância, mas há algum tempo começou a ter problemas de visão e teve que se afastar do volante -, Yara colocou a jovem em um táxi e, juntas, foram até a Rede Record. A corrida do bairro do Sacomã, na zona sul da capital, até a Barra Funda, na zona oeste, custou R$ 80 – que a aposentada pagou do próprio bolso.

- Eu estava tão longe da minha casa e nem posso dirigir. E ela me dizia que o que mais queria era ver a família.

A equipe do R7 , com ajuda da SSP (Secretaria de Segurança Pública), conseguiu localizar a família de mulher. Sua irmã, a empregada doméstica Edileuza Sousa do Nascimento, de 32 anos, e a vizinha Lucineide dos Santos, de 40, pegaram um táxi de Guarulhos e foram até a delegacia no bairro de Perdizes para encontrar a jovem.

Reencontro

No caminho para a delegacia, Edileuza não continha as lágrimas. Contou que a irmã sofre de uma doença da qual ela não sabe o nome, mas que manifestou-se há cerca de oito anos.

- Começou depois do terceiro filho que ela teve. Agora já são seis. Começou com depressão pós-parto, mas piorou. Ela tomava remédio, mas sumiu. Quando era criança, ela não tinha essa doença.

Os pais delas das duas já morreram. Uma parte da família vive no interior da Bahia, de onde elas migraram, e a outra, em São Paulo. As irmãs vivem em uma casa com outras dez pessoas na periferia de Guarulhos. Elas têm três irmãos e quatro irmãs.

O boletim de ocorrência do ano passado foi o terceiro feito por Edileuza por desaparecimentos da irmã. Na primeira vez, a jovem sumiu com o sobrinho, o filho pequeno de Edileuza.

O mulher que estava perdida quase não fala e, em alguns momentos, mostra-se tensa. Quando indagada onde estava quando sumiu, ela diz que se perdeu no metrô.

Família

Yara não pôde curtir a família no Dias das Mães. Passou o domingo circulando pela cidade e ficou algumas horas na delegacia. Ela esteve o tempo todo junto a jovem.

Para conseguir encontrar a irmã, Edileuza pagou um táxi, cujo valor da corrida vai pagar em duas vezes. O motorista mora no mesmo bairro e topou levar a moça de Guarulhos a São Paulo “porque conhece a jovem e sabe dos problemas dela”.

Às 20h, depois de dez horas cuidando do caso da jovem que ela não conhecia, Yara entrou no metrô para cruzar a cidade e encontrar seus filhos. Na hora da despedida, as duas choraram muito.

- Eu estava decidida a ir até Guarulhos e procurar a família dela. Tenho dois filhos, é natural... É uma reação de mãe. 

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