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No PMDB, Skaf diz que "partidos e ideologia não andam juntos"

No PMDB, Skaf diz que "partidos e ideologia não andam juntos"

Atualizado: Segunda-feira, 16 Maio de 2011 as 10

O empresário Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ingressou semana passada no PMDB com a missão de ajudar a reconstruir o partido no principal Estado da União. Com a ficha de filiação abonada pelo vice-presidente da República, Michel Temer, ele diz: "O PMDB deve buscar sim a Prefeitura de São Paulo e o governo do Estado."

O projeto de Skaf é ser novamente candidato ao Palácio dos Bandeirantes em 2014. No ano passado, ele, que dá expediente todos os dias na imponente sede da Fiesp na Paulista, avenida que é uma espécie de medula cervical do capitalismo brasileiro, concorreu pelo "socialista" PSB. Agora no PMDB, símbolo do centrismo político, o empresário diz que "partidos e ideologia não andam juntos no Brasil". Leia a entrevista:

Por que o senhor trocou de partido?

Em 2009, quando pensei pela primeira vez em me filiar a um partido político, fui convidado pelo vice-presidente da República, Michel Temer, a ingressar no PMDB. Tudo caminhava para isso, mas, por algumas razões, não deu certo, e o PSB me convidou. Acabei sendo candidato a governador no ano passado e fizemos uma campanha boa, porém com algumas dificuldades. Terminada e eleição, o Michel novamente retomou as conversas comigo. Eu deixei muitos amigos no PSB, que entenderam que o PMDB vive um outro momento aqui em São Paulo após a morte do (Orestes) Quércia (em dezembro).

Na última candidatura do Quércia a governador, em 2006, ele teve apenas 4% dos votos. O senhor também ficou nesse patamar. Como evoluir?

Os analistas dizem que meu desempenho foi bom porque eu não era conhecido, enquanto outros candidatos tinham 100% de conhecimento por parte do eleitor. Hoje, temos um capital político, um grau de conhecimento maior. Creio que em uma outra eleição majoritária eu não saia do zero. Já há um espaço percorrido.

O senhor pretende concorrer já no ano que vem?

Eu não impus condições para entrar no PMDB. Entrei para colaborar, para trabalhar. Candidatura são circunstâncias. Mas, sem dúvida, meu nome está à disposição do partido. Mas ser candidato não pode ser projeto pessoal.

Se o PMDB se coligar ao PT em São Paulo causará algum incômodo?

Não, porque essa é uma decisão do partido. Eu entrei no PMDB para ajudar a fortalecê-lo em São Paulo. Mas acho que há um espaço para crescimento enorme e nós podemos apresentar opções novas na política brasileira. Não adianta só ficar reclamando dos políticos, tem que entrar e fazer diferente. Eu não tenho absolutamente nada contra o PT, tenho até um relacionamento muito bom.

O senhor foi criticado ao ingressar no PSB por ser um grande empresário, líder da classe, em um partido com o termo socialista no nome. E agora no PMDB?

A população hoje não tem essa preocupação tão grande com o aspecto ideológico. As pessoas querem governantes honestos, competentes, que realizem. As pessoas querem um bom serviço de saúde, escolas boas para seus filhos, querem se sentir seguras, ter um bom transporte público. Nesse sentido, nós somos todos democratas. As questões ideológicas hoje são confusas mesmo, você encontra de tudo em todos os partidos. Não podemos ser hipócritas e ficarmos com uma discussão ideológica como se ela fosse verdadeira. Partidos e ideologia não andam muito juntos hoje. Eu me sinto bem hoje no PMDB. Mas não posso reclamar do PSB.

Qual a avaliação o senhor faz dos quatro primeiros meses do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo?

Tenho um bom relacionamento pessoal com ele, mas isso não me impede de ter a minha opinião. Mas o PSDB está no poder no Estado há quase 20 anos, seria saudável para a população uma renovação. Se nós falarmos que a Educação em São Paulo é de qualidade, não é verdade, a Saúde, a Segurança. Temos problemas de mobilidade, de enchente....

É possível trabalhar com o legado do PMDB no Estado para reestruturar o partido?

O PMDB de São Paulo já teve 27 deputados federais. Hoje tem um. O PMDB deve buscar sim a Prefeitura de São Paulo e o governo do Estado. Mas eu repito: essas são decisões partidárias.

O senhor também foi criticado por utilizar a estrutura da Fiesp para fazer política. Como responde a isso?

O meu trabalho é voluntário. Estou há seis anos e meio à frente das entidades, fizemos revoluções na educação, no esporte, na cultura, na formação profissional. Isso que o governo está falando agora, fazer o ensino médico articulado com o ensino técnico, nós fizemos 14 anos atrás. Temos um relacionamento bom e independente com os Poderes, criamos a autoridade produtiva. E na eleição última da Fiesp, no dia 11 de abril deste ano, fui reeleito com 98,5% dos votos. Se aqui estivesse um aproveitador, não teria sido reeleito e muito menos com esse patamar. Tenho minha consciência tranquila de que estou cumprindo meu papel, com decência, honestidade e eficiência, com coração, com paixão. E acho que nós devemos ter coragem de quebrar o paradigma de ter vergonha da política porque as grandes decisões do País passam por ela. A sociedade deve se envolver mais, todos deveriam ter uma filiação partidária. No meu caso, não entrei na política para tirar proveito, entrei para me entregar, parar dar à política, para fazer coisas boas.

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