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Nove pessoas estão desaparecidas em condomínio soterrado no RJ

Nove pessoas estão desaparecidas em condomínio soterrado no RJ

Atualizado: Quinta-feira, 20 Janeiro de 2011 as 2:27

Depois de passar os últimos dias cavando com as próprias mãos os escombros de uma casa em busca do corpo da mãe e do padrasto no Condomínio do Lago, no distrito da Conquista, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, a professora Cátia resolveu fazer um protesto para exigir a presença de equipes de resgate no local.

Com a ajuda dos vizinhos, a entrada do condomínio ganhou uma faixa com um pedido de socorro. Cátia contou que chegou a ameaçar bloquear a estrada caso não houvesse uma ação do poder público. “A gente só quer ter o direito de enterrar nossos mortos. Nós conseguimos reunir 35 pessoas para ajudar a tirar a terra de cima da casa, mas o barro é tanto que não dá”, afirmou a professora.     Na quarta-feira (19), o Corpo de Bombeiros chegou ao local para dar início aos trabalhos de resgate dos nove corpos. Foram deslocadas três retroescavadeiras e uma equipe de voluntários do Grupamento Marítimo do Rio de Janeiro. Mas, como os corpos estão embaixo da terra que deslizou e da lama que se formou no loteamento, o trabalho é complicado e pode demorar até uma semana.

De acordo com o coronel Laranjeira, a demora aconteceu porque o local apresenta risco para as equipes. Segundo ele, o loteamento requer uma atenção especial e, por isso, foi preciso reunir um maior número de equipamentos para o início do trabalho. “As pessoas não nos deixam ir embora. As histórias são muito comoventes. Só vamos sair daqui quando todos os corpos forem resgatados”, disse.     Histórico de enchentes

O cenário de destruição no Condomínio do Lago é tão impressionante que muitos motoristas param na beira da estrada para tentar entender o que pode ter acontecido para uma área tão grande desabar quase que completamente.

Muitas casas estão cobertas de lama. A comerciante Elaine afirmou que os moradores já sofriam com as constantes enchentes no local.

“O nome é Condomínio do Lago porque sempre que chovia, alagava, mas dava tempo de sair. Há quatro anos nós passamos por uma grave enchente, mas agora foi dez vezes pior”, ressaltou.

Clarão

O cortador de confecção Sérgio Vinicius, que estava no Condomínio do Lago no momento da chuva, contou que os deslizamentos começaram após um forte clarão. Para ele, ouvir os gritos de socorro dos vizinhos e não poder fazer nada foi o pior momento da tragédia.

O pedreiro Carlos Roberto afirmou que, quando o barranco começou a cair, parecia que estava acontecendo um terremoto. O morador, que foi o primeiro a construir uma casa no local, não quer mais morar no condomínio.

O número de vítimas na Região Serrana do Rio já passa de 740 em seis cidades. Ainda há pelo menos 17 localidades em que só é possível chegar de helicóptero ou carro 4x4. Pelos últimos levantamentos dos municípios, são 359 mortos em Nova Friburgo, 299 em Teresópolis, 62 em Petrópolis, 22 em Sumidouro, 6 em São José do Vale do Rio Preto e 1 em Bom Jardim.    

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