Novo mapeamento da região serrana ficará pronto em seis meses

Novo mapeamento da região serrana ficará pronto em seis meses

Atualizado: Quarta-feira, 19 Janeiro de 2011 as 3:31

O secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou nesta quarta-feira (19), que 12 geólogos estão na região serrana do Rio de Janeiro para tentar localizar as áreas onde ainda existem riscos de deslizamentos nos municípios de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo. Segundo ele, o novo mapeamento deve ficar pronto em seis meses.

- Eu peguei o mapa de Teresópolis de quatro anos atrás. Está desatualizado. Pelo menos 70% das pessoas que morreram não estavam em áreas de risco. Se o grosso desta tempestade tivesse ocorrido nas áreas de risco, as mortes seriam dez vezes maiores.

O secretário anunciou ainda a compra de dois radares meteorológicos, com orçamento avaliado em R$ 7 milhões, capazes de prever a chegada de ventos e chuva fortes, que vão monitorar todo o Estado do Rio. Um será instalado em Macaé, no norte fluminense, e o outro em Resende, no sul do Estado.

Uma outra medida anunciada por Minc é a ampliação da rede de hidrometria, que mede a elevação do nível dos rios. Atualmente, o sistema existe em Nova Friburgo, Petrópolis e Macaé. Segundo o secretário, a rede ficará pronta em duas semanas em Petrópolis e em Teresópolis.

Friburgo Na última segunda-feira (17), o presidente da Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro), Ícaro Moreno, disse que o mapa geográfico de Nova Friburgo mudou após o forte temporal da semana passada. O vento, a chuva e os deslizamentos de terra modificaram o curso do córrego Dantas, que percorre os bairros de Conquista até o Centro, em um trecho de 8 km. O tamanho mais que dobrou, passando de quatro metros de largura para dez metros.

A enchente chegou a modificar a largura do córrego de quatro para cem metros durante o temporal da semana passada, o que provocou o desabamento de ao menos de 50 casas.

Tragédia das chuvas O forte temporal que atingiu o Estado do Rio de Janeiro dia 11 deixou centenas de mortos e milhares de sobreviventes desabrigados e desalojados, principalmente na região serrana.

As cidades de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto foram as mais afetadas. Serviços como água, luz e telefone foram interrompidos, estradas foram interditadas, pontes caíram e bairros ficaram isolados. Equipes de resgate ainda enfrentam dificuldades para chegar a alguns locais.

Na sexta-feira (14), a presidente Dilma Rousseff liberou R$ 100 milhões para ações de socorro e assistência às vítimas. Além disso, o governo federal anunciou a antecipação do Bolsa Família para os 20 mil inscritos no programa nas cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis.

Empresas públicas e privadas, além de ONGs (Organizações Não Governamentais) e voluntários, também estão ajudando e recebem doações.

Os corpos identificados e liberados pelo IML (Instituto Médico Legal) são enterrados em covas improvisadas. Hospitais continuam com muitos feridos. Médicos apelam por doação de sangue e remédios. Os próximos dias prometem ser de muito trabalho e expectativa pelo resgate de mais sobreviventes e localização de corpos.

Em visita à região de Itaipava, em Petrópolis, o governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que ricos e pobres ocupavam irregularmente áreas de risco e que o ambiente foi prejudicado.

- Está provado que houve ocupação irregular, tanto de baixa quanto de alta renda. Está provado também que houve dano da natureza. Isso não tem a ver com pobre ou rico.    

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