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Novo seriado da Globo, "A Vida Alheia" romantiza paparazzi

Novo seriado da Globo, "A Vida Alheia" romantiza paparazzi

Atualizado: Segunda-feira, 5 Abril de 2010 as 12

Danielle Winits como repórter, Paulo Vilhena como paparazzo, Marília Pêra como dona da publicação e Cláudia Jimenez como editora. É a revista de fofocas de Miguel Falabella, autor de "A Vida Alheia", série que a Globo estreia na quinta, dia 8.

O autor diz que pensou em tudo quando estava jantando no Sushi Leblon, restaurante da zona sul do Rio que é ponto fixo de paparazzi na cidade. "Se você me fotografar com a boca aberta, eu te mato!", disse ele ao fotógrafo. E riu com a amiga Cláudia Jimenez. Os dois pensaram na série, e Falabella começou a escrever.

Há, diz ele, "uma fina ironia" na forma como a imprensa de celebridades é tratada. No clipe, exibido ao batalhão de jornalistas que, desta vez, o próprio Falabella convidou para "divulgar o trabalho", Danielle Winits tenta conseguir entrevistas em pré-estreias e veste disfarce de enfermeira para conseguir informações num hospital.

Paulo Vilhena edita as fotos à noite com Winits entre os lençóis. Jimenez surge ávida por fofocas bombásticas, e Marília Pêra tenta segurar informações de seu interesse.

Embora todos sejam retratados como "voyeurs" vorazes, "todo mundo sabe que está jogando. As celebridades se aproveitam, também. É tudo em benefício de ambas as partes", diz.

"Vocês, em especial a Folha, querida, tratam a gente como a [cantora cubana] Gloria Stefan e se sentem o [dirigente máximo de Cuba] Raúl Castro."

Queridos ou não

De camisa branca puída, com os botões abertos até quase a cintura e rabo de cavalo para prender os cabelos brancos e compridos, Fausto Candelária está mais uma vez parado em frente ao Sushi Leblon - atrás de um carro, do outro lado da rua. É ele o paparazzo que "inspirou" Falabella.

Desde 2004 como fotógrafo da AG News, uma das principais agências de paparazzi no Rio, registrou alguns "furos" da área: Carolina Ferraz beijando Reynaldo Gianecchini, Marieta Severo beijando, Juliana Knust beijando, Fábio Assunção beijando...

"A foto é o seguinte: beijo. Não adianta: se eu fizer um beijo, vão publicar", diz ele.

Uma foto, no mercado dos freelancers, vale entre R$ 150 e R$ 200. Mas um flagrante, como o de Chico Buarque saindo do mar com uma morena em 2005, não tem preço.

"Depende de exclusividade. Se só você fez, se só uma revista quer", conta Danilo Delmiro, também paparazzo.

O ponto dele é o shopping São Conrado Fashion Mall, muito frequentado por celebridades. Na noite em que a Folha acompanhou Candelária e ele no Leblon, Delmiro havia fotografado só Priscila Fantin. "Pelo menos, ela é querida. Mas foi um dia fraco."

No hall dos "não queridos", por ironia do destino, está Paulo Vilhena, o paparazzo de "A Vida Alheia". "Ele é muito agressivo", diz Candelária.

Não há reunião para definir o alvo. Os paparazzi devem estar informados sobre o rosto das pessoas (e os que gostam de usar chapéu como disfarce), seu estado civil e sua rotina (peças, amigos em cartaz, folgas etc.). Ainda assim, a vida não está fácil, diz Delmiro. "Ficamos muito visados."

"Estou aqui todo dia depois da novela [das 20h, na Globo] e fico até 3h, 4h", conta Candelária. "Antigamente, saía com um bom material. Agora, não. Isso porque tem fotógrafo que não sabe esperar".

Exemplo: "Se eu encontrasse a Danielle Winits hoje, sozinha, não faria [ela acaba de se separar de Cássio Reis]. Porque ela vai pensar: 'Poxa, é melhor eu não vir aqui com meu novo affair'. Entende o raciocínio?".

Por: Audrey Furlaneto

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