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Novo Tron tenta limpar fracasso do antecessor

Novo Tron tenta limpar fracasso do antecessor

Atualizado: Sexta-feira, 17 Dezembro de 2010 as 10:11

Em 1982, foi preciso pintar à mão, cena por cena, para criar o efeito de luz emitida pelas roupas futurísticas de "Tron". Quase 30 anos depois, o filme volta com a mesma essência, mas desta vez com figurinos que têm bateria e luz própria.

Naquela época, o filme da Disney, considerado inovador pelas técnicas digitais usadas, foi um desastre de bilheteria. Mas isto também é algo que o estúdio não pretende repetir, apoiado numa forte campanha de marketing desde 2008.

"Tron - O Legado" é ambientado no mundo digital criado pelo hacker Kevin Flynn (Jeff Bridges) no primeiro filme. Agora, ele está lá, preso faz 20 anos, e recebe a visita de seu filho Sam (Garrett Hedlund), que tenta trazê-lo de volta ao mundo real.

"O filme original estava dez anos à frente, as pessoas não conseguiam entender o conceito de ter uma versão digital de você mesmo dentro do computador", disse à Folha o diretor do novo trabalho, Joseph Kosinski, que faz sua estreia em longas.

Kosinski teve a ajuda de Steven Lisberger, diretor e roteirista do original, que assina como coprodutor. Os dois se encontraram no começo do processo, em 2007, e pesquisaram os arquivos de Lisberger, como os desenhos originais dos designers Moebius e Syd Mead.

"Muitas coisas do original que as pessoas achavam que foram feitas no computador foram, na verdade, feitas à mão. Elas não sabiam direito do que um computador era capaz", disse Lisberger. CENÁRIOS

Formado em arquitetura, Kosinski disse que tirou inspirações de Mies van der Rohe, Louis Kahn e Neil M. Denari para fazer os cenários.

Jogos com bumerangues ou motos são organizados para divertir a massa de robôs, embalados pela música do duo francês Daft Punk e controlados pelo ditador Clu.

Ele foi criado pelo próprio Flynn para ajudá-lo na construção do mundo paralelo, mas Clu se rebela, toma o poder e o exila.

Os dois têm o mesmo rosto, embora Clu continue 20 anos mais novo. E Jeff Bridges interpreta os dois, numa técnica inédita. O filme também usa as mais novas câmeras de 3D, do mesmo sistema criado por James Cameron em "Avatar".

O ator levou à equipe do filme o mestre zen Bernie Glassman com o intuito de que seu personagem absorvesse seus ensinamentos.

De fato, Flynn tem uma calma que lembra muito seu papel no filme "O Grande Lebowski", The Dude.

"Há um pouco de conexão entre Flynn e The Dude. São da mesma geração, acho que se dariam bem. Ou não. Talvez Dude dissesse para ele: 'Relaxa cara!'", diz Bridges.

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