MENU

"O barato às vezes sai caro", diz Celso Amorim sobre compra de caças

"O barato às vezes sai caro", diz Celso Amorim sobre compra de caças

Atualizado: Quinta-feira, 7 Janeiro de 2010 as 12

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reafirmou nesta quinta-feira (7), em Paris, que a decisão sobre a aeronave vencedora da concorrência FX-2 será política, ainda que leve em consideração o parecer técnico elaborado pela FAB (Força Aérea Brasileira). Em referência indireta ao Gripen NG - ainda que sem citar nomes da empresas -, o chanceler afirmou:

''O barato às vezes sai caro''.

Durante sua agenda na capital francesa, o ministro tratou do tema com o conselheiro diplomático do Palácio do Eliseu, Jean-David Levitte.  

Amorim esteve em Paris para participar do seminário Novo Mundo, Novo Capitalismo, promovido pelo governo da França e realizado na Escola Militar. Antes de se apresentar, o chanceler ouviu múltiplos afagos do presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao Brasil. Ao discursar, fez uma análise da crise econômica e da reforma do sistema financeiro, tema do colóquio.

Na sua saída, entretanto, o ministro falou à imprensa sobre a polêmica envolvendo a licitação do projeto FX-2 e, em especial, sobre os aviões Rafale, fabricados pela francesa Dassault e classificados por um relatório da FAB como terceira e última opção, na concorrência com o sueco Saab Gripen NG e com o norte-americano Boeing F/A-18 Super Hornet.

Amorim reforçou a autonomia de que dispõe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para decidir o vencedor, mesmo que leve em consideração o relatório da FAB.

''Caberá ao presidente, que lidera o país politicamente, tomar a decisão, levando em conta todos os dados, técnicos e outros''.

A seguir, sem citar nomes de companhias ou de aeronaves, o chanceler ponderou:

''As vezes os técnicos dão uma impressão que vai num sentido e muitas vezes o barato sai caro''.

O argumento foi um contraponto indireto à opinião da Aeronáutica, cujo relatório avaliou que um dos fatores que deveriam levar o Gripen NG à vitória na concorrência seria o preço. A Saab promete fornecer dois jatos pelo preço de um Rafale.

''É claro que os dados técnicos também são importantes, mas outras considerações também são importantes [...].Não estou diminuindo o valor do trabalho feito [pela FAB], nem estou dizendo que ele é o único fator''.

veja também