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O bispo e deputado José Bruno pede CPI da Pedofilia em SP

O bispo e deputado José Bruno pede CPI da Pedofilia em SP

Atualizado: Sexta-feira, 27 Junho de 2008 as 12

O bispo e deputado José Bruno pede CPI da Pedofilia em SP

Por Claudia Moraes

O bispo e deputado estadual José Bruno (DEM) protocolou requerimento para abertura da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pedofilia na Assembléia Legislativa (AL) de São Paulo. A comissão deve investigar e quebrar as redes de pedofilia no estado, além de promover a prevenção, criar Leis e contribuir com Leis Federais para punições específicas para o ato, visto que ainda não é qualificado como crime, e este é um dos objetivos.

Por enquanto, ainda não há previsão de quando será instalada. Segundo o deputado, as CPIs são abertas de acordo com o cronologia do protocolo, a da pedofilia é a última. A intenção é tentar uma cordata com o presidente da AL, Vaz de Lima (PSDB), e líderes partidários, para que esta possa passar à frente e iniciar os trabalhos no segundo semestre.

CPI em São Paulo

José Bruno explica que a idéia surgiu quando os senadores Magno Malta (PR-ES) e Romeu Tuma (PTB-SP) estiveram na AL de São Paulo para realização das oitivas (ouvir as partes investigadas) da CPI da Pedofilia do Senado. "Foi um dos apelos do senador Magno Malta, para que em cada Câmara, Assembléia Legislativa, os vereadores e os deputados estaduais abrissem CPIs. Contribuindo com aquilo que acontece em Brasília, para desvendar muitas redes que estão escondidas"

Prevenção

Um dos trabalhos da CPI será a prevenção, José Bruno é vice-presidente da Comissão de Educação da AL e vê a educação como o caminho. Defende que sejam feitos trabalhos em parcerias com as APMs (Associação de pais e mestres) das escolas públicas, a inserção no conteúdo disciplinar e em outros programas desenvolvidos nos próprios colégios e pela Polícia Militar. "A criança tem que saber a mercê do que ela está, aprender a combater e até denunciar. É um trabalho multidisciplinar, temos que ter a colaboração de pedagogos, de psicólogos, de pessoas que lidam com a formação, com a psicologia infantil".

Pedófilo "evangélico"

Ao ser questionado sobre o caso de um rapaz que se dizia "evangélico" e foi preso durante a investigação da CPI da Pedofilia do Senado, o deputado diz: "Não importa o rótulo de que é 'evangélico', vai em uma igreja, isso não representa nada. A vida com Deus, não é ir à igreja e freqüentar os cultos. Isso não serve para absolutamente nada. A vida com Deus é uma vida de intimidade com o Senhor, com a palavra, com o Espírito Santo e com frutos da santificação, que demonstram que há o domínio do Espírito [Santo] na vida daquela pessoa. O fruto é aquilo que é aparente nesta árvore, que na sua seiva corre o Espírito e não a vontade da carne. O ser uma nova criatura, ter uma vida no Espírito, é isso que vai determinar".

A Igreja

Na opinião de José Bruno, que também é bispo da Igreja Renascer, o tema "pedofilia" tem que fazer parte dos grupos de jovens, das disciplinas das escolas dominicais e dos encontros com os pais. As igrejas estão mais maduras e têm que se envolver com a cidadania, com a necessidade de instruir a população. "A igreja tem os anticorpos espirituais. Quando o assunto é abafado e esquecido, por qualquer motivo que seja, até pela negligência, o diabo contrapõe a sua mentira e forma nas pessoas um valor destorcido", explica.

Influências

O bispo alerta os pais a prestar atenção nas influências. "Infelizmente a gente vive num país que num domingo, às 14h, a moça dança na garrafa, quase semi-nua, e o pai e a mãe acham bonito que sua filha pequena imite. No Brasil, tudo é muito insinuante e sensual. Na internet, isso está completamente liberado, não tem horário proibido. É só dar um clique a hora que quiser, o apelo é muito grande e a criança acaba tendo contato com o sexo precocemente".

Os pais devem pedir apoio aos pedagogos e psicólogos, para orientar as crianças e falar na linguagem delas, por se tratar de um tema delicado.

Pena

O deputado afirma que é a favor da pena máxima para os pedófilos, 30, 40 anos ou até mesmo perpétua. Mas descarta a possibilidade de castrar. "Existem casos de injustiças, em que as pessoas estão pagando o que não precisariam. Então, me dá um certo receio de colocar um tipo de punição que é completamente irrevogável, porque depois que você matou na cadeira elétrica ou que você amputou, não tem como recolocar".

Ainda conforme José Bruno, um dos objetivos da CPI do Senado é a tipificação do crime de pedofilia, porque no Código Penal não tem o tipo pedófilo, do crime pedofilia. Quando isso acontece, a pessoa é enquadrada em alguns outros parâmetros da Lei, como assédio, estupro, atentado ao pudor, mas não tem nada que diga: ele é pedófilo. Então, tem que se encaixar em uma lacuna e os advogados trabalham para desqualificar e minimizar a pena.

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