MENU

O coração ficou aliviado, diz pescador resgatado após 22 dias

O coração ficou aliviado, diz pescador resgatado após 22 dias

Atualizado: Quinta-feira, 30 Junho de 2011 as 11:21

Cristiano Souza é um dos seis pescadores que saíram do Rio de Janeiro, ficaram à deriva por 22 dias e foram r esgatados em alto mar por um navio em Santa Catarina. Liberado do hospital onde estava internado, ele contou nesta quinta-feira (30) os momentos de angústia ao Bom Dia Brasil.

O pescador disse que de imediato não precisou beber a própria urina para se hidratar. "Pegava água numas coisas que tinha lógica. Choveu um dia só. Urina foi ideia do outro (pescador) que está melhor. Eu de imediato não tomei, só eles. A gente tinha pouco gás para esquentar água do mar, ia dar até briga pra tomar água destilada lá. Ficaria difícil." 

Cristiano foi um dos pescadores que ajudou a chamar um navio que passava por perto do barco, 22 dias depois de eles já estarem sem controle da embarcação. "A hora que eu vi o navio que resgatou a gente chegando, chamei o pessoal correndo. Uns não conseguiam nem andar. Percebi que ele (tripulantes do navio) viu e veio na nossa direção. Coração deu aquele alívio. Chamei, tentamos a primeira vez, o navio prensou, começou a quebrar o barco, eles pararam, tentaram de novo, pararam."

O dono da embarcação onde os pescadores estavam, Pedro Araújo, afirmou que o barco aguentou bem, mas que, por causa das batidas do navio de resgate, não resistiu e afundou: "Ele resistiu, ficou 22 dias à deriva sem danos. A pancada no navio foi o que afundou. O mar era muito violento, e o navio muito alto. A onda jogava o barco pra cima do navio", disse.

Internados

Dois pescadores foram liberados do hospital na quarta-feira (29). Mas um deles, como ficou combinado com a equipe médica do Hospital Miguel Couto, na Gávea, na Zona Sul, retornou à unidade na manhã desta quinta-feira (30) para repetir alguns exames. Segundo a Secretaria municipal de Saúde, dependendo do resultado desses exames ele pode voltar a ser internado.

Outros quatro ainda permanecem internados em três hospitais do Rio. Um deles, que inspira cuidados intensivos, está no CTI no Hospital Souza Aguiar, no Centro, onde passa por uma série de exames. Um dos dois internados no Hospital Salgado Filho, no Méier, na Zona Norte, apresenta quadro de insuficiência renal e passa por exames. Já o outro pescador está estável. Nenhum deles tem previsão de alta, de acordo da Secretaria municipal de Saúde.

Fome, frio e sede

Os seis tripulantes do barco “Wiltamar III” enfrentaram fome, frio e sede nos dias que ficaram à deriva até serem resgatados na noite de segunda-feira (27). O estoque de alimentos que eles levaram era suficiente apenas para 12 dias.

“No desespero você faz qualquer coisa. A gente precisava era resistir para sobreviver até que alguém aparecesse para nos salvar. Graças a Deus estamos vivos”, disse Maicon Lima Santos.

Na embarcação também estavam o mestre Zenildo de Oliveira Pacheco, 31, Leandro Vidal Martino, 39, Gilney da Silva, 56, José da Conceição, 36, e Cristiano Pereira de Souza, 33. Eles foram recebidos pelos familiares em clima de muita emoção.          

veja também