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O lado feminino de 'Tropa de Elite 2'

O lado feminino de 'Tropa de Elite 2'

Atualizado: Sexta-feira, 29 Outubro de 2010 as 4:50

Engana-se quem pensa que Maria Ribeiro e Tainá Müller são o sexo frágil de "Tropa de Elite 2". As atrizes interpretam mulheres fortes, determinadas e com grande influência na vida dos personagens de Wagner Moura, Irandhir Santos e Pedro Van-Held. Maria vive Rosane, ex-esposa de Nascimento que está sempre tentado aproximá-lo do filho Rafael. Ela também é o ombro amigo do atual subsecretário de inteligência da secretaria de segurança do Rio de Janeiro, que costuma desabafar com a ex quando percebe-see impotente com relação às milícias. Além disso, Rosane é a atual mulher de Fraga, que está sempre em conflito com Nascimento: "Acho muito bonito o papel da Maria nesse filme. É como se estivesse acima de todos os outros personagens porque ela é maternal com todos os homens que estão à sua volta. Ela é tão madura que dá bronca em todo mundo de uma forma muito coerente e íntegra. Se a Rosane não existisse, talvez o ‘Tropa’ fosse brutal demais", analisa Tainá.

A personagem de Müller também não fica atrás. Para viver Clara, uma jornalista que precisa ser durona para subir a favela e botar a vida em risco por uma boa matéria, Tainá, que é formada em jornalismo, compara a voracidade com que a personagem quer a notícia com a que ela tinha de fazer uma boa cena: "Há boatos de que sofri muito na minha preparação, mas não consigo avaliar negativamente a experiência porque a vontade do ator é que aquilo funcione, então prefiro apanhar do que estar mal no filme", diz.

Quando a atriz fala apanhar, não está brincando! Na preparação com Fátima Toledo, Tainá precisou ser durona para acompanhar o ritmo dos outros homens, pois era a única mulher no set: "A gente treinava em Vargem Grande, Zona Oeste do Rio, e eu dizia que ali era tipo um campo de concentração! Levei um susto quando saí do carro pela primeira vez e vi uns 70 homens fardados gritando ‘Caveira’, era muita testosterona junta". De acordo com a atriz, a preparação com Toledo foi fundamental para encontrar Clara dentro de si, já que no método utilizado os atores precisam deixar seus mecanismos de defesa de lado para se descobrirem: "Nos ensaios enfrentei meus maiores medos e isso naturalmente acabou me transformando. O filme me devolveu diferente para a vida e só por isso já valeu".

Na continuação de "Tropa de Elite", Maria Ribeiro não passou por uma preparação tão intensa, pois descobriu que estava grávida de Bento nesse período. A atriz começou a gravar apenas um mês e meio depois dar luz ao segundo filho. Para viver a mãe de um adolescente, Maria precisou envelhecer 13 anos e se viu na tela na pele de uma mulher de 45, dez anos a mais do que tem atualmente. A atriz confessa que achou que fosse ser difícil se ver mais velha no cinema, mas a importância do filme é maior do que qualquer cuidado com a vaidade: "É claro que gosto quando estou mais gata, mas quando você está em um bom projeto, isso fica muito menos importante. Nas gravações pedia para o maquiador não passar tanto corretivo escuro para marcar algumas linhas de expressão; ficava preocupadíssima com o resultado. Quando assisti, percebi que o filme é muito arrebatador, muito maior do que isso", diz.

Na opinião de Maria Ribeiro, Rosane e Clara mereciam aparecer muito mais no longa de José Padilha: "São personagens interessantíssimas e acho que deviam ter mais espaço, mas, se fosse para fazer apenas uma cena, eu ia ficar feliz do mesmo jeito porque é muito bom estar em um projeto relevante, que atinge diferentes públicos e é bem feito. O ‘Tropa’ é um filme que todo mundo gostaria de estar porque fala sobre o Brasil, é divertido e bem executado".

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