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OAB culpa 'descaso' do governo por assassinatos de líderes rurais

OAB culpa 'descaso' do governo por assassinatos de líderes rurais

Atualizado: Sexta-feira, 3 Junho de 2011 as 4:18

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, atribuiu nesta sexta-feira-feira (3) ao que chamou de “descaso dos governos estaduais e federal” a recente onda de assassinatos de líderes rurais no norte do país. O comentário foi feito enquanto ele participava da abertura de um encontro do Colégio de Seccionais da OAB, em Belo Horizonte (MG).

Segundo a OAB, Cavalcante acusou o governo de ser o “maior latifundiário da Amazônia” (local onde as mortes vêm ocorrendo) com o objetivo de preservar a segurança nacional, o que não vem fazendo. “E o que a União procura dizer? Que segurança pública não é com ela. E o estado diz que reforma agrária não é com ele, pois não é questão de segurança pública, mas uma questão social. Então um fica empurrando a responsabilidade para o outro", disse o presidente da OAB.

O G1 entrou em contato com a assessoria da Presidência, mas, de acordo com eles, quem responde em nome do governo por este assunto é o Ministério da Justiça. A reportagem também entrou em contato com a assessoria da pasta e aguarda retorno.

De acordo com uma lista divulgada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) nesta semana, 30 ambientalistas e trabalhadores do campo já sofreram ameaças de morte ou sobreviveram a atentados violentos no Brasil, entre os anos de 2000 e 2010. A lista completa, segundo a Comissão, contém 165 pessoas que sofreram ameaça de morte mais de uma vez.

Ainda de acordo com a CPT, outro documento apresenta 1.855 nomes de trabalhadores do campo que sofreram algum tipo de ameaça no período. Destes, 207 receberam mais de uma ameaça e 42 foram assassinados.

Na quinta-feira (2), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou, após uma reunião com a presidente Dilma Rousseff, que as Forças Armadas, ao lado da Polícia Federal, Força Nacional e Polícia Rodoviária Federal, atuarão em conjunto numa operação para conter os crimes resultantes de conflitos fundiários no norte do país.          

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