Obesa morre ao se sentir mal e família acusa Samu de demora

Obesa morre ao se sentir mal e família acusa Samu de demora

Atualizado: Quinta-feira, 3 Novembro de 2011 as 1:19

Uma mulher de 40 anos morreu na madrugada de quarta-feira (2), em Feira de Santana, município a cerca de 100 km de Salvador, vítima de complicações causadas por obesidade mórbida. A família de Iracema Souza Santos, que pesava 200 quilos, afirma que a demora para que a paciente fosse transferida por uma ambulância do Samu de uma clínica até o hospital contribuiu para a morte. A mulher era diabética, hipertensa, e foi levada por familiares para a clínica após se sentir mal.

Segundo o enfermeiro da clínica Tiago de Souza, no momento em que a paciente precisou de transferência, todas as macas do Samu estavam retidas no hospital, o que atrasou o atendimento. "Ligamos, entramos em contato, fizemos a regulação da paciente e encaminhamos. A dificuldade maior foi a questão do transporte desse paciente", afirma. Ela precisou esperar uma ambulância particular para ser encaminhada ao Hospital Clériston Andrade.

O diretor da Secretaria de Saúde da cidade, Gilbert Lucas, realizou uma reunião na manhã desta quinta-feira (3) com as enfermeiras do plantão e com a técnica de enfermagem que participou da transferência da paciente para apurar o caso. Por meio de nota, ele informou que após análise do relatório médico emitido pela coordenação sobre a ocorrência foi constatado que não houve negligência no atendimento de Iracema.

A assessoria de comunicação do Hospital Clériston Andrade relata que a paciente deu entrada com vida, recebeu todo atendimento possível, mas morreu por conta das complicações que ela já apresentava, resultantes da obesidade mórbida. A coordenação do Samu no município informou que ainda está levantando informações sobre o ocorrido.   Outro caso

Desde abril deste ano, a dona de casa Eliana Santos , de 29 anos, moradora de Feira de Santana, também vem sofrendo com a obesidade mórbida e vive sem poder sair de casa.

"Eu peço socorro, não quero chegar a óbito. Tenho filho, sou nova", teme a paciente, que tem 1,80m de altura e está 140 quilos acima do peso ideal. Os médicos recomendam a ela peso de 80 quilos.  "Sinto dor de cabeça, nas costas, nas pernas. Para dormir, coloco o colchão no chão", conta Eliana. O balão já foi doado por um médico, mas a vaga em um hospital da rede pública de saúde ainda não foi oferecida.

O processo para implantação do balão gástrico é considerado simples, realizado através de endoscopia que dura, em média, 15 minutos. Mas como Eliana é considerada paciente de risco, precisa ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e não há vaga no Clériston Andrade. De acordo com a coordenadora do Cras (Centro de Referência de Assistência Social), o Hospital Dom Pedro também foi procurado, mas lá não há aparelho de endoscopia. "Nós já orientamos a família a procurar o Ministério Público", afirma Ana Cristina Souza, coordenadora do Cras.

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